3 - Tentando agir normal

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Queria dar um abraço e parabenizar todos os atores possíveis, todas as pessoas fingidas, todas as pessoas mentirosas, todas as pessoas que conseguem esconder um segredo, todas as pessoas que tem um autocontrole. Todas essas pessoas deveriam estar aqui do meu lado nesse exato momento. Deveriam ser os meus tutores ou algo assim. Eu iria ser uma excelente pupila. Iria aprender sem questionar, ou então iria questionar – falam que você aprende melhor se tiver dúvidas. Iria ser a melhor, a mais esforçada, a mais brilhante, a mais digna. Não sei se eles iriam aceitar somente por conta disto. Não tenho dinheiro. Ou melhor, eu tenho. Coloco a mão no bolso e vejo o troco do pão de ontem. Terminou que meus pais não deixaram eu pedir a pizza, infelizmente. Tive que ir à padaria e comprar pão. E não sei se esse troco seria suficiente para o que necessito agora.

Tudo começou hoje de manhã quando fui me arrumar para o colégio. Uma coisa normal de se fazer. Acordar, tomar banho, trocar de roupa, comer e escovar os dentes. Pronto. Eu demoro meia hora para fazer tudo isso. Acho que meus pais gostam disso em mim. Mesmo sendo uma menina eu não costumo me arrumar como as outras meninas do colégio – afinal, eu estou indo para o colégio, não para um desfile de moda. Os meus poros agradecem. Porém, algo terrível aconteceu. Algo estava fazendo com que o meu cabelo se comportasse de maneira terrível. Ele olhava para mim e podia escutar a sua risada maléfica. Não queria que Henrique me visse daquele jeito. Ele com certeza está fascinado pela beleza de Clarissa. Eu tinha que ficar por cima. Tudo bem que ele não sabe de nada o que está acontecendo e nem vai ligar se o meu cabelo está tentando me boicotar ou não. O problema todo foi esse. Demorei mais do que o esperado e quase perco a maldita prova de física. A melhor coisa foi que cheguei atrasada e não conversamos no primeiro horário. Estava me esforçando muito para conseguir o meu zero.

Assim que a prova terminou eu saí correndo direto para o banheiro. Ele não iria me seguir até o banheiro, certo?

Errado!

Nossa, ele estava do lado de fora do banheiro!

O que aconteceu ontem está matando ele de tanta felicidade e está me deixando louca.

- Ló! – Ele praticamente grita.

- Oi, louco. – Digo com um sorriso de ponta a ponta. Sério, Lorena. Pare de sorrir.

- Eu preciso te contar como foi ontem!

- Porque você não conta para Guilherme? – Falei algo totalmente desnecessário. Eu sei. Confesso. Onde assino a confissão?

- Não preciso, pois ele já sabe de tudo. – Ele coloca a mão ao redor de mim e a pousa em meu ombro. Andamos assim, grudados, pelo colégio. Ele normalmente e eu dura sem entender o motivo de tanto alarde. Andamos assim quase sempre. Tanto que por muito tempo as pessoas achavam que éramos namorados. – Eu meio que soltei todas as indiretas diretas possíveis. E ela não me deu nenhum tipo de fora.

- Nossa, que legal! – Nossa, que merda! – E o que irá acontecer agora?

- Sabe a festa da Letícia? Aquela que vai acontecer no prédio dela?

- Sim! – Eu realmente estava empolgada para a festa. A empolgação não era de mentira.

- Clarissa vai estar lá.

- Hum...

Ele piscou para mim e pude sentir a sua mão apertando o meu ombro mais forte. Já era hora de meu corpo parar de olhar para todos os seus gestos.

- Você disse que queria ir antes.

- Sim, eu disse sim.

- Pois vá. Você irá presenciar o melhor momento da minha vida.

Imaginei a cena. Ele lá se agarrando com ela enquanto uma faca de mentira iria me revirar as entranhas. Uma cena digna de um show de horrores.

- Não irei perder por nada.

Era isso que eu precisava. Precisava da festa.

Precisava vê-lo ficando com outra menina.

Se eu não sentisse nada é porque tudo não passou de uma loucura de minha cabeça.


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