11 - O problema de competições é a recompensa

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Acho que deveria praguejar um pouco mais, já que nada estava dando certo para mim. Uma simples brincadeira iria continuar a piorar o meu pesadelo, isso por que eu não pressenti os seres malignos do universo arquitetando a piada de minha vida. Seria algo bem simples: Dar trocentas voltas nadando – qualquer estilo – e pronto. Pessoas aquecidas – sem ter que ficar perto de nenhum corpo – e cansadas. Ideia genial, perfeita. Mas existe algo chamado Lei de Murphy e todo o meu ser havia sido arrastado, empurrado, jogado nela. Guilherme havia dado a brilhante ideia de que competições têm recompensas para os ganhadores. Queria dizer para ele parar de ser tão criancinha a ponto de querer fazer uma competição com recompensa. Aquela era a minha competição e eu dizia que não tinha recompensa nenhuma! Só se ele quisesse me dar algum tipo de dinheiro – tinha que juntar os trocados para a próxima pizza. Mas o problema maior não foi Guilherme ter sugerido algo tão inútil assim, mas, minha nossa, Clarissa, ela tinha que ter aberto a boca no pior momento. Enquanto ela estava lá com aquele sorriso - que fazia Henrique babar literalmente – palavras horripilantes saíram de sua boca:

- Que tal assim: A dupla que ganhar vai ter que pedir algo para a outra dupla fazer.

Sim, eu havia voltado para a quinta série. Ou alguma outra série. Não me lembro. Não era muito a minha praia ficar de brincadeirinhas deste tipo com os meninos. Eu lembro que estava muito ocupada quebrando todos os meus ossos por jogar futebol ou cair de alguma árvore. Realmente, aqueles eram bons tempos.

O pior de tudo é que tanto Henrique quanto Guilherme ficaram super empolgados com a ideia da pequena Miss de seios fartos. Letícia havia dito que ela era um amor de pessoa. Eu juro que estou tentando escavar tudo o que ela faz e fala para encontrar esse amor todo de pessoa. Acho que o meu subconsciente está me dando altas doses de repúdio, por isso que não consigo deixar a compaixão por ela entrar em meu coração.

- Vamos! Acho que vai ser legal. – Guilherme disse, colocando a mão no queixo como se estivesse pensando no que poderia pedir para mim. Sabia que ele não gostava muito de pensar. Ele era um daqueles caras que pensavam somente em qual tipo de cerveja iriam tomar na próxima festa. E eu sabia bem lá no fundo que isso iria dar em merda. Em uma bem grande. Porém eu estava sozinha nessa agora.

- Já estou mais disposto para competir. Quero que saibam que eu sei nadar incrivelmente bem e rápido! – Henrique disse, fingindo que estava se aquecendo, movendo os braços de um lado para o outro como se fosse uma gosma.

Dou o meu sorriso amarelo para esse tipo de situação e começo a ir para a borda da piscina. Tinha que me concentrar e eu realmente queria ganhar aquela maldita competição agora. O que iria pedir para Guilherme? Ele poderia começar a dançar ballet no meio do pátio do colégio, ou então, fingir que pedia a mão de uma completa desconhecida. É, realmente. Acho que essa ideia seria bem interessante. O problema será se a dupla família estraga prazeres ganhar. Aí sim a coisa irá se tornar séria. Não para Henrique, que irá adorar qualquer coisa que Clarissa pedir para ele fazer, mas para mim. Guilherme poderia me pedir pra sair com ele? Para fazer massagem? Minha nossa, meu estômago se revira enquanto eu penso nisso. Se revira ainda mais quando penso que minha boca estava colada na dele horas antes. Henrique dá um selinho em Clarissa e vai para a borda oposta que eu estou. Clarissa vem para o meu lado e Guilherme vai para o lado de Henrique.

- Eu estou tão animada – Clarissa diz.

Um amor de pessoa. Eu penso e mando um sinal para o meu interior parar de me dar altas doses de simpatia.

Dou um sorriso estranho.

- Eu também.

Observo que os dois meninos também estão conversando, porém eles conversam mais do que eu e Clarissa. Fico curiosa querendo saber o que eles poderiam estar falando. Será que estão confidenciando o que eles irão pedir? Foco em Henrique e ele está sorrindo, termino sorrindo junto com ele, pois percebo que os seus olhos ficam bem pequenininhos quando isso acontece. É como se ele sempre sorrisse de olhos fechados.

- Guilherme não para de falar sobre você. – A pequena me fala e eu termino me sentindo uma gigante ao seu lado. – Não sei o que você fez, mas ele está muito gamado em você. Acho que será divertido nós quatro juntos.

Nãããããããããooooooo! Não será divertido. Tento – mentalmente – apagar o mundo encantado que Clarissa inventou naquela cabeça pequenininha, mas não consigo, pois ela realmente acredita que as coisas realmente são simples, contudo elas não são. Eu terminei me apaixonando pelo cara que ela está tendo um rolo. Então, nada irá ser simples. Eu não quero o primo dela, nunca quis. No meu mundo os pôneis e arco-íris estão extintos.

Começamos a contar para a largada e eu juro por tudo o que é mais agrado que eu iria nadar o mais veloz possível.

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