29 - Quase estranhos

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- O que você queria falar comigo? – Falo finalmente. O silêncio já estava ficando desconfortável ao extremo. Tenho certeza que ele também pensou sobre a nossa situação dentro daquele tempo.

Ele respira fundo como quem espera ganhar mais tempo e solta todo o ar de uma vez só. Mas palavras não conseguem sair de sua boca. Ele olha para a sua mão até ter a coragem para me encarar.

- Eu queria dizer que sinto a sua falta.

Eu também sentia a falta dele. Eu também sentia falta de tudo em nossa amizade. Era engraçado imaginar que passamos a nossa vida inteira juntos, mas agora agíamos como se fôssemos estranhos.

- E o que você pretende fazer com esta informação? – Eu não estava me reconhecendo. Eu estava fria! Eu. Lorena, a pessoa mais sentimental da face da terra estava sendo fria. O sol teria que fazer um esforço a mais para poder esquentar o restante do mundo.

- Eu não sei. Eu realmente não sei, Lorena. – Aquilo havia doido. Ele me chamando de Lorena parecia ser tão errado. Toda aquela situação estava completamente às avessas. – Eu sinto a sua falta e me sinto muito mal em pensar que eu te magoei daquela forma, ou então que a nossa amizade se transformou nisto aqui. Parece mais que somos estranhos – é ele também pensava da mesma forma que eu. Ele estava em pé e abria os braços para enfatizar a grandeza de toda a situação que eu havia metido nós dois.

- Você se transformou em um completo escroto, Henrique.

- E eu não tenho culpa se você se apaixonou por mim. Se eu te amasse, Lorena, da mesma forma que você disse que me amava então tudo estaria resolvido? – ele se aproximou de mim e eu me sentia encurralada com sua presença e escolhas de palavras. Será que era assim que uma pessoa que estava sendo julgada se sentia? – Você acha justo que eu me force a sentir algo por você?

Eu não era um monstro. Eu não era aquele tipo de pessoa que ele estava pensando que eu era. Ele estava com muita raiva de mim, era perceptível. Ele quis conversar comigo por estar sentindo a minha falta, mas ele também quer me mostrar que eu fui a grande culpada de tudo. Ele não precisava esfregar na minha cara, já que eu me martirizava por conta disso quase todos os dias desde que aquele sentimento idiota tomou conta de mim. Porém aquele sentimento tão arrebatador que eu sentira naquela época não estava presente neste momento. Não doía ter que olhar para ele, não me dava vontade de abraça-lo e esperar por um beijo. Será que eu estava curada?

- Não, Rico. Eu não acho justo te forçar a nada, na verdade, eu tentei por muito tempo fazer com que eu deixasse de vê-lo daquela forma. Tentei sim. Mas você me magoava como amiga, como pessoa, quando me deixava de lado. Nós nos conhecemos faz quanto tempo? E não demorou muito para você fingir que eu não existia. Eu poderia ficar sofrendo por muito tempo até aquele sentimento idiota ir embora, eu poderia ter te contado, poderíamos ter resolvido isso de uma outra forma, se você não tivesse me afastado de você. – Parei um pouco para respirar e fiz a pergunta que tenho certeza que ele iria me responder com sinceridade naquele momento. - Você sabia, não sabia? Por isso que me afastou?

- Sim, eu sabia.


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