5 - Em certos momentos aja como todo mundo

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Você nunca deve chagar tão cedo assim em uma festa. Nunca! O salão de festa estava praticamente vazio. E o que você pensa é que a festa será um total fracasso. Cadê as pessoas? O som estava sendo instalado ainda. Pelo menos tinha comida. Letícia estava terminando de ajeitar tudo. Eu não entendo como alguém goste de fazer festa só por fazer. Não gosto de ter algum tipo de trabalho sem necessidade.

- Nossa, vocês são pontuais! – Ela veio correndo para nós dois. Ela estava muito, muito arrumada. Não sabia que essa era uma festa para se ir engomado. – Eu estou um pouco nervosa que as pessoas demorem demais para chegar, sabe? Não quero que a festa seja morgada.

- Relaxe, Lê. Você deu um lugar, som e bebidas. É a mistura para o sucesso. – Henrique disse animado, mesmo aquele local parecendo um deserto.

- Ah, por isso que eu te amo! – Ela pulou no pescoço dele e ficou beijando a sua bochecha. Depois disso, como se fosse a coisa mais normal do mundo, ela se vira para mim – Ló, olha eu tenho que falar com você.

Segura em minha mão e saímos de perto de Henrique.

Se eu fizesse aquilo que ela acabou de fazer acho que seria a coisa mais errada do mundo. Sim, iria ser a coisa mais errada do mundo. Ele iria perceber certo? Era estranho.

- Oi, o que foi? – Perguntei.

- Não era para te falar, mas eu não consigo ficar com a minha boca fechada – ela disse pulando de alegria. – Sabe o Guilherme?

- Sim...

Já tinha juntado tudo. Festa, amiga comentando sobre um menino para você. Principalmente, eu já tinha assistido muito filme adolescente para saber o que viria a seguir.

- Ele falou comigo sobre você.

- Sim...

- Nossa, eu achava que você estaria mais animada. – Eu realmente a desapontei. – Eu estou muito animada!

- É que... – hoje a minha missão é outra eu queria dizer. – Ele não faz o meu tipo.

- Sério? E quem faz? Tipo o estilo de Henrique?

- Não! – Fiz cara de nojo. Porém acho que exagerei muito. Eu realmente sou terrível. Mas, pensando bem, era verdade. Henrique nunca fez o meu tipo de menino. – Que tal a gente ver o que acontece, certo? Obrigada por me falar!

Eu sabia que ela não iria ficar por muito tempo comigo – ela tinha uma festa para organizar – então terminei perguntando logo.

- Lê, como é a prima de Guilherme? – Ela conhecia todo mundo. Com certeza iria conhecer Clarissa. – É que todo mundo fala dessa menina e eu ainda nem sei como ela é.

- Ela? Ah! Ela é um amor de pessoa. Você vai adorar conhecê-la. Se eu não me engano ela estará aqui hoje mesmo! – Ela contou naquele jeito empolgado que somente ela tinha. – Agora, - ela se aproximou de mim e falou mais baixo – minha fonte me contou que ela está caidinha pelo Henrique. Não é o máximo?

- Sim! O máximo! – Sorri animadamente e ela me deixou pedindo desculpas, mas ela tinha muita coisa para fazer.

E agora eu já sabia o que iria acontecer.

Mas ainda não tinha acontecido nada.

E ela era um amor?

Como competir com uma pessoa que é um amor?

Não, você não gosta dele...

Verdade.

Qual o meu maldito problema?

- E aí? – Henrique perguntou quando cheguei perto dele.

- E aí.

- O que ela queria? – Perguntou curioso.

- Nada.

- Nossa. Segredo de menina?

- Sim.

- Tá legal. – Ele não iria tocar mais no assunto. - Vamos procurar um local para sentar!

É incrível como um local para se transformar de maneira tão rápida. Estava eu e Henrique falando sobre nada com nada em um ambiente completamente vazio, até que de repente eu já não conseguia falar direito com ele. Falávamos praticamente aos berros, e, mesmo assim, não conseguíamos nos escutar direito. A luz já não existia. Agora não escutávamos e nem víamos direito. E de repente as pessoas começam a preencher o vazio. Cada espaço do salão de festas estava preenchido por pessoas conhecidas e desconhecidas. Eu já não estava conversando sozinha com Henrique. Agora estávamos com a nossa rodinha de amigos.

Até que chegou a um momento em que conversar estava impossível.

Isso significava que a festa estava bombando.

Estava feliz por Letícia.

Nos balançávamos de um lado para o outro seguindo o ritmo da música. Antigamente você fazia algum tipo de coreografia para se dançar, mas agora era tudo a mesma coisa. Um passo para o lado e um para o outro. Pronto. Expert. Você não irá passar vergonha. Para dizer a verdade eu já não estava estranha por conta de Clarissa. Havia esquecido, pelo menos por algum tempo, algumas horas que ela poderia chegar.

Estava tudo normal entre mim e Henrique.

As palhaçadas e a nossa dança desengonçada.

E tenho quase certeza que o mesmo acontecia com ele. Curtindo mais uma festa com a sua amiga de infância. Quantas vezes nós já não fizemos isso antes?

O que eu acho mais engraçado em relação à um filme clichê quando vemos é que reclamamos pela cena clichê. Mas acho que reclamamos mesmo é porque não queremos ver o que acontece no nosso dia-a-dia. Não precisamos mais das mesmas cenas que estamos acostumados a vermos em nossa vida. E o que ocorre é que nossa vida é um filme clichê. Se pararmos para raciocinar, algumas cenas e situações de nossas vidas já se passaram em um filme ou em um livro. E agora era a minha vez.

Era a cena em que a menina quase apaixonada é convidada para dançar com o garoto que ela nunca vira como sendo um garoto mesmo. A maldita música para se dançar em dupla. A melhor mão do mundo estendida em minha direção. O sorriso em ambos os lábios por conta da situação. Ela com o coração aos pulos e ele com o coração sonolento. Ela avaliando todo o momento e ele à espera de outra. O bom é que ele não pode ver quando a menina fecha os olhos, inspira o seu perfume e sorri.

Eu não precisava de mais nada para saber que sim, eu estava apaixonada por ele.

O bom é que ele não pode ver.

Rodamos e rodamos. Ele me gira. Eu giro. Eu vejo todas as pessoas da festa todas as vezes que ele me gira. Somos duas pessoas que não se importam em dançar direito. Até que quase fico tonta e ele me segura. Começamos a rir.

- Quanto você já tomou? – Ele pergunta.

- Nada! – E era verdade. Eu não havia tomado nada. E não iria tomar nada. – E você?

- Nada também! Imagina só eu vomitando em Clarissa! – Ele gritava e eu tentava escutar com aquele barulho todo.

- Verdade. – Começo a pensar em formas de fazer com que ele beba alguma coisa. Mas eu sei que será impossível fazer com que ele mude de ideia.

- Eles estão demorando...

- Ah, não ligue. Esqueça isso. Afinal, essa é a minha missão hoje! – Estendi minha mão para ele.

- O.K! – Ele disse e segurou em minha mão. Eu sorri. E quase pude sentir a sua mão em minha cintura quando de repente ele parou. E apertou a minha mão. – Eles chegaram! – Ele disse em meu ouvido.



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