17 - Amigos de Facebook

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Às vezes algumas coisas boas surgem através de coisas ruins. Toda aquela história de banho de piscina havia colocado todo o meu orgulho no lixo e eu estava realmente para baixo, era possível perceber isso por conta do pote de sorvete de flocos que estava em cima da minha cama, mas eu finalmente peguei uma corzinha no meu corpo. Que se ferrasse Henrique se ele não notasse isso, que nem havia acontecido com a minha roupa, que eu tenho certeza que ele não notou de forma alguma.

Olho para o espelho e dou um sorriso. Estou com as bochechas avermelhadas por conta do sol. Me jogo na cama e faço o que deveria fazer para passar com essa sofrência toda. De um lado tenho o meu querido sorvete e do outro eu tenho um caderno e um lápis. Começo a comer o sorvete e depois de cada colherada eu faço um desenho de Henrique. Mas não são desenhos bonitinhos cheios de coraçõezinhos. Eu o desenho com um cabeção, como sendo um E.T. Com dois pés gigantes, com o cérebro escorrendo pelos ouvidos, um dentão. Sei que ele não merece isso que estou fazendo, mas está me fazendo melhorar.

Olho para o meu computador e sou consumida por uma vontade de procurar por Pedro. Saber que o que ele me falou era mesmo verdade, ou se ele só havia contado aquela história sobre conhecer o Narciso para me fazer confiar um pouco nele. Vou até o meu computador e quase durmo por conta da demora dele de iniciar. Entro no facebook e procuro Narciso entre os meus amigos – uma coisa que acontece no colégio é que você pode não falar com aquela pessoa nos corredores, mas se vocês frequentam o mesmo colégio, então, vocês serão amigos segundo o face.

Olho para a foto de Narciso, para saber se é o mesmo menino que eu tive pena por um longo tempo, por conta do incidente de Linda, e percebo que era ele mesmo. Na foto ele estava sorrindo, como se nada fosse deixá-lo triste, mas naquele dia, ele chorava mais do que tudo no mundo. Clico nos amigos dele e coloco para pesquisar o nome de Pedro. Olho para os vinte Pedros que aparecem ali tentando encontrar o que conhecia.

Até que eu o encontro.

Ele não está sorrindo na foto, está sério e não parece com o cara todo animado que conhecia. Bom, não que eu o conhecesse a fundo, mas ele passava para mim uma ideia de ser de bem com a vida. Clico nele e vejo que só temos Narciso de amigo em comum e que ele estudava em um colégio bem perto do meu. Não pude olhar mais nada, pois o conteúdo estava fechado para quem não era seu amigo. Passei o mouse para enviar a solicitação, mas decidi não fazer isso. O que é que ele iria pensar? Que eu estava bisbilhotando a sua vida? Que eu era uma menina metida que adicionava qualquer pessoa que falava comigo? Que eu era uma menina estupidamente carente que só queria ter muitas pessoas adicionadas para fingir que elas se importavam comigo?

Deixeipara lá e voltei a desenhar vários bonecos tortos de Henrique até que umasolicitação aparece na tela. Não era notificação e nem mensagem. Era umasolicitação de amizade. Quando vou olhar eu percebo que era Pedro. Bom, o queeu deveria pensar nessa situação? Ele era um cara que adicionava qualquerpessoa que encontrava pelo caminho? Decidi que era essa a questão e aceitei asolicitação. Acho que não iríamos mais ser dois estranhos. 

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