20 - Incerteza

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Acho que todo mundo que termina se confessando algum dia sempre pensa como é que a confissão irá terminar. Muitas vezes devem imaginar que irá terminar em choro, em rejeição e, por algum milagre devido a todas as rezas do mundo, você pode ser correspondido. Esse último é mais difícil de ser alcançado e se você conseguir tenha certeza de que você deve ter gasto toda a sua sorte, charme e glamour. Então, saiba quando você deve fazer uma confissão ou não. O que me deixa mais perdida em tudo isso é que eu não sei o que esperar de mim. Afinal, a minha confissão terminara em vômito. Lógico que isso era um coisa ruim, mas eu não havia sido nem rejeitada e nem correspondida.... Será que o ato de vomitar foi um gesto carinhoso – eca – de Henrique me dispensar? Sem querer destruir os meus pobres sentimentos que estavam começando a nascer? Teria que regar meus sentimentos a álcool.

- Só pode ser brincadeira – eu digo quando enfio Henrique debaixo do meu chuveiro. Ele começa a tentar sair de lá, mas eu o empurro de volta e ele termina se molhando com roupa e tudo. Eu estava com muita raiva por ter vômito em mim e no meu quarto. Queria realmente dar uns belos tabefes nele. – Vamos, Rico!

Ele se acalma e começa a aceitar que irá receber esse tipo de tratamento. Depois eu jogo uma toalha para ele e digo para ele se secar enquanto eu tomo um banho. Depois eu ainda teria que limpar o meu quarto e esconder a bebida do inferno. Enquanto a água cai por mim eu começo a me lembrar do que poderia ter sido o nosso primeiro beijo. Henrique não tentou se esquivar quando eu cheguei bem perto dele para o beijo. Ele ficou olhando para mim. E a pergunta que não quer calar em minha pobre mente perturbada "O que será que ele ficou pensando durante todo aquele tempo? "

Sério. Acho que teria sido mais rápido se ele tivesse me dito logo o que ele estava pensando. Falava logo "Ló, tá doida? Você é minha amiga-menino" ou então "Ló, caramba. Eu também, mas eu não sabia como te falar isso". Simples. Ele poderia ter dito logo.

Depois de estar completamente limpa eu fui ver como ele estava. Terminei encontrando-o jogado em cima da minha cama.

- Massa... – Agora a minha cama estava completamente molhada. Peguei a toalha e comecei a bater nele. Ahh, aquilo era muito frustrante. – EU. DISSE. PRA. VOCÊ. SE. SECAR!!! – Na minha mente fértil eu estava literalmente soltando fogo pela boca.

- Desculpa! – Ele se levanta e começa a passar a toalha pelo corpo. Pego todos os produtos de limpeza da casa e começo a tentar retirar aquilo que estava a alguns minutos dentro dele.

Se a gente algum dia ficar junto eu poderei dizer para nossos filhos como não foi nada legal limpar o vômito do pai deles depois de ter feito a minha declaração. Imagino todo mundo rindo, inclusive eu. Porém, eu irei esconder o fato de que eu estava tendo pensamentos assassinos de extremo ódio.

Quando me viro para olhar para Henrique eu vejo que ele está sem camisa. Paro por um tempo tentando entender o que ele está fazendo, até perceber que ele estava começando a retirar a bermuda!

WTF?

- Ricooooo!! – Pulo em cima dele. – Você tá doido?

- Você disse para eu me secar.

- Universo, você me odeia? – Olho para cima na esperança de receber alguma resposta. – Olha, Rico, você pode sim se secar. Tirar as suas roupas – fico vermelha – mas não aqui. Olha, eu vou ver se encontro algo pra você, certo? Vá para o banheiro e eu vou te entregar umas roupas secas para você.

Ele assente e vai embora para o banheiro. Enquanto isso eu começo a catar alguma roupa de meu pai que irá servir nele... Lógico que nenhuma irá.

Dou para Henrique as roupas e vou para o meu quarto retirar a roupa de cama molhada.

- Desculpa. – Ele disse para mim depois de sair do banheiro com as roupas de meu pai. Ele estava muito engraçado.

Bufei.

- Ah, está desculpado. – Imaginava que ele estava falando pelo fato de ter vomitado em mim e no meu quarto.

- Certo.

Ahhhh que áurea desconfortável era essa? Infeliz ideia a minha.

Rico foi até a minha cama e se deitou lá. Depois de um tempo ele já estava dormindo.


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