Lauren

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Domingo estava se afundando no tédio, como sempre. Eu não podia sair, então minhas companhias eram meus DVD's com a primeira e segunda temporada de The Flash e meu mais novo amigo virtual. Eu sentia que acabaria quebrando a cara de novo, mas, pelo jeito, era algo que eu gostava de fazer.

A tarde estava quase no fim e eu sabia que tinha algo para fazer, mas não me lembrava o que. Minha cabeça parecia estar à ponto de explodir, o que me dava uma boa desculpa para não atender ninguém que tocasse a campainha, ou ligasse no telefone fixo. Eu atendia apenas o celular, coisa que eu não faria em breve, pois a bateria estava no fim.

Nelli: Barry fica preso na friendzone!

Nelli: Três vezes!

Lauren: Se me der mais um spoiler, eu vou te bloquear até que eu termine a maratona!

Nelli: É sério?

Lauren: Muito sério.

Nelli: Ótimo. O Zoom é o...

Esta mensagem foi bloqueada

Depois disso, comecei a rir sozinha. Ele tinha esse efeito em mim. Me fazia rir quando eu estava prestes a chorar, me contava as histórias mais loucas e dizia as coisas mais lindas. Era como se ele me conhecesse e soubesse que tudo o que eu precisava era sorrir.

Ah, se eu não gostasse tanto do Vinícius. Talvez eu até desse uma chance para o Nelli. Afinal, ele merecia. Meu orgulho também me impedia de enviar uuma mensagem ao Vini, perguntando o que aconteceu entre nós, porquê nos afastamos tanto.

Fazia uma semana que não trocávamos qualquer mensagem, mas, se dependesse de mim, isso não duraria sequer dois dias. Minha vontade de ouvir sua voz novamente me deixava distraída com facilidade, ouvir seu nome me fazia sorrir sem qualquer motivo, ao mesmo tempo que me deixava triste. Eu sentia sua falta, mais do que poderia imaginar. Fui tirada do transe quando a campainha tocou seguidas vezes, o que me obrigou a levantar do sofá.

-Já vai! - gritei, me enrolando no cobertor. Girei a chave e abri a porta, segurando a ponta do cobertor presa ao meu corpo - Vinícius?

-Oi, Lauren. Posso entrar? - olheiras eram visíveis debaixo dos seus olhos e ele estava mais pálido que o normal. Dei passagem para que ele entrasse e fechei a porta, voltando a me sentar no sofá. Hesitante, ele fez o mesmo, se sentando ao meu lado. Vini mexia as mãos de forma nervosa, além de morder o lábio diversas vezes.

-Vini? Está tudo bem? - pus suas mãos frias entre as minhas, que estavam quentes por causa do cobertor.

-Lauren, me desculpa por aquele dia. Eu não queria te deixar mal, eu juro. Só não estava aguentando mais aquilo me corroendo, o ciúme de quando Peter sorria para você, até mesmo na quinta-feira, quando o Carlos te tirou daquela biblioteca carregada. Eu queria ser ele, eu queria te proteger, ser seu porto seguro. Mas, ao invés disso, eu estraguei nossa amizade. Por favor, me perdoa - seus olhos prendiam os meus em um transe doloroso, enquanto eu o via ameaçar começar a chorar, eu sabia que já o estava fazendo. Senti uma lágrima correr pela minha bochecha até se pendurar em meu queixo.

-Ah, Vinícius... você deve ser a única pessoa que pode entrar e sair do meu coração quantas vezes quiser, não importa o quanto me destrua por dentro. Eu nunca conseguiria ter odiar, ou guardar rancor. Eu só te amo. Não há nada que mude isso - ele tirou uma de suas mãos de perto das minhas e limpou uma lágrima do meu rosto com delicadeza.

-Eu também te amo. Acho que só descobri muito tarde - dito isso, ele usou a mão livre para aproximar o meu rosto do seu devagar. O beijo não foi como o que demos no corredor, aquele foi roubado, uma brincadeira perto desse. Este foi bem mais calmo, suave, como se Vini tivesse medo de me assustar com qualquer movimento brusco. Sentia como se estivesse andando em nuvens, um friozinho tomava minha barriga, deixando o momento ainda melhor. Nos separamos por falta de ar, mas eu sabia que ambos tínhamos um brilho no olhar, assim como o sorriso no rosto.

Eu nunca deixo notas finais, mas só vim dizer uma coisa: RETA FINAL

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