Lauren

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Minha mente estava à milhão desde o meu encontro com o Vini.

No domingo, ele apareceu em casa e tentou se explicar, mas eu o cortei já no começo, dizendo que nossa amizade era um erro absurdo. Me lembro dele ficar estático por alguns segundos, olhando nos meus olhos, antes de sair pela porta da frente. Eu caí aos prantos logo depois, me afundando numa sensação de equívoco aos poucos, mas já era tarde demais para fazer algo a respeito.

Na mesma tarde, Peter apareceu na porta de casa, carregando uma cesta de piquenique e uma sacola cheia de doces, mas acabamos não indo à praia, como ele planejava. Ficamos em casa, assistindo filmes e eu despejava, aos poucos, o que havia acontecido sobre ele. Contei da sorveteria, da chegada repentina de Vinícius naquela manhã e o que eu disse para ele sobre nossa amizade.

-Se acha que está te fazendo mal, o certo é mesmo cortar. Não acho que ele faria uma brincadeira de mau gosto como essa com você, mas essa é a opinião de quem conhece vocês tem pouco tempo - achei justa a afirmação e apenas dei de ombros, voltando minha atenção para o filme.

Minha mãe ficou de plantão no hospital até tarde, e Peter foi embora mais tarde ainda, pois os dois se davam bem. Até bem demais para o meu gosto, mas nem mesmo me importei.

Como Paulo havia passado o dia na casa de um amiguinho da escola, ele não viu o estado deplorável em que fiquei o dia todo, o que tornou mais fácil convencer minha mãe de que eu estava chorando por causa de um filme que eu e Peter assistimos e ela engoliu a mentira.

-Terra chamando Lauren! - Hanna balançava a mão em frente ao meu rosto, uma expressão preocupada tomava sua face.

-Ah... Sim? - preguntei, envergonhada. Ela, Carlos e Peter andavam preocupados demais comigo, e aquilo me deixava nervosa. Eu não queria ser um peso para os meus amigos.

-Você ouviu algo do que eu disse?? - reclamou minha amiga, em tom de repreensão. Encolhi os ombros e neguei, mordendo o lábio inferior.

-Desculpe, eu... - comecei, mas logo fui cortada. Hanna fez sinal para que eu parasse de falar e soltou um suspiro pesado, olhando nos meus olhos.

-O que está acontecendo, Lauren? Você evita o Vinícius há dias, muda de direção quando ele aparece no corredor, só fala com o Nick e a Julia quando ele não está junto. Dá para explicar o que aconteceu no sábado?! - uma risada nervosa escapou dos meus lábios e eu torcia mentalmente para que o sinal tocasse para a próxima aula.

-Nada demais. É sério.

-Não, é algo mais, sim! Você não fica apavorada assim desde o...

-Eu estou bem! Vocês não tem que ficar em cima de mim como se eu fosse uma criança! - minha voz saiu mais alta do que eu esperava, assustando-a. Peguei minha mochila do chão e me levantei do gramado, correndo em direção ao prédio em que seria minha primeira aula. No meio do corredor, esbarrei em várias pessoas, mas não me dei ao trabalho de pedir desculpas ou sequer olhar para trás.

-Olha por onde anda, garota! - o comentário só me fez revirar os olhos, porém, não imaginei que a garota fosse querer acertar contas. Ela me puxou pelo braço, me obrigando a encará-la. Seu nome era Helen, uma loura de olhos tão azuis que me davam enjoo e que usava um batom tão vermelho que parecia sangue.

-Me larga - pedi, tentando controlar minha voz. Helen apenas riu e me empurrou contra a parede, coisa que fez com facilidade, pois eu era bons dez centímetros mais baixa e bem mais fraca que ela, que frequentava academia, mesmo que só para babar pelos universitários que faziam no mesmo horário.

-Devia ter morrido no hospital, sua maluca - ela sibilou perto do meu rosto, pouco antes de se afastar e completar - Tenho pena de quem quer que ande com você. É suicídio social.

Nesse momento, o sinal para a aula tocou e eu aproveitei a deixa para sair correndo dali. Estava tão desnorteada que nem vi como acabei na biblioteca, sentada atrás de um sofá velho na sessão de mistério.

Os soluços vieram fortes e incontroláveis e eu acabei me deixando levar por eles. As palavras de Helen haviam me ferido profundamente, de um jeito que só ela e Hanna saberiam fazer, afinal, apenas melhores amigas sabem ferir uma à outra apenas com palavras.

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