Lauren

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Acordei no sábado com o barulho do liquidificador e um cheiro forte de tinta guache. Luíza e Paulo ainda dormiam tranquilamente. Na noite anterior, meu irmão mais novo me implorou para dormir com ele, pois estava com medo de um tal Slender-Man, de quem a Hanna contou a história.

Me levantei, me certificando de não ter acordado meu irmão, e saí do quarto à passos leves. Olhei pela janela da sala e vi que o céu ainda estava escuro, apenas pequenos raios rosa cortavam o crepúsculo.

Escovei os dentes e, sem me importar com a camisola de gatinho, fui até a cozinha, onde encontrei Hanna batendo uma massa no liquidificador, enquanto colocava algo colorido dentro de um frasco de shampoo.

-Pegadinha às seis da manhã? - comentei, desligando o liquidificador. Incrivelmente, dentro dele havia apenas massa de panqueca. Peguei uma frigideira no armário e coloquei no fogão, acendendo o fogo.

-Ele arrancou os dentes do meu pente. Só estou retribuindo o favor - enquanto eu virava um pouco da massa na frigideira, ela tampou o frasco.

-Cabelos coloridos? Sério? - virei a frigideira num prato, e a voltei para o forno, preparando outra panqueca.

-Deixa de ser estraga prazeres. Agora, me diga, como vai o crush?

-Para de chamar ele assim! - reclamei, em meio à uma risada. Hanna me mostrou a língua e riu.

-Mas é o que ele é, oras! Ele é o seu crush!

-Grita mais alto, para ele ouvir - revirei os olhos e virei a outra panqueca no prato, desligando o fogão. Mexia na geladeira, procurando a margarina, quando ouvi uma voz de sono no corredor.

-Quem é o crush de quem? - num reflexo, levantei a cabeça, batendo-a na prateleira da geladeira. Coloquei a margarina na mesa e vi Vinícius entrar na cozinha com a cara amassada e o cabelo revoltado.

-Você é o crush da Loli, cabeção - ironizou Hanna. Vini olhou para ela e depois para mim, o que me fez corar. Passei a margarina na panqueca quente e a esperei derreter, ainda sentindo o olhar dele sobre mim.

-Eu sei.

-Convencido - comentei, dando uma mordida na panqueca. Ele riu e pegou um pacote de bolachas no armário, logo se encostando no balcão.

-Pra quê o frasco de shampoo com tinta guache? - Vini apontou o frasco nas mãos de Hanna, que riu baixo.

-Vingança.

- Contra o Carlos?

-Sim.

-Ele trocou o pó de arroz dela por farinha e ainda arrancou os dentes do pente... - comentei, rindo. Hanna saiu da cozinha, indo trocar o shampoo do nosso amigo, imaginei. Meu olhar se voltou para o Vini, que apenas agora notei estar sem camisa. Corada, baixei o rosto e voltei a comer.

-Vocês são muito cruéis - riu. Um riso escapou dos meus lábios e eu o fitei com um sorriso sapeca.

-Você não viu nada.

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