Lauren

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Voltei para casa levemente atordoada. Tudo o que Vini me disse me pegou de surpresa. Uma surpresa boa.

Enquanto ele falava, eu só pensava no quanto era maravilhoso ouvir aquilo, ainda mais vindo dele, mas, ao mesmo tempo, eu não sabia se era aquilo que eu queria.

Eu realmente havia tentado mudar, mas não me sentia boa o bastante. Suas palavras tiveram um peso absurdo. Me senti horrível por ter saído daquele jeito, mas estava em pânico. Minha visão ainda estava levemente turva e algumas coisas pareciam fora de foco, mas não me dei ao trabalho de tomar qualquer remédio. Precisava organizar meus pensamentos e meus sentimentos.

O caminho parecia nunca acabar, as ruas se alongaram de modo estupidamente assustador, me deixando ainda mais nervosa do que eu já estava. Cheguei em casa feliz por todos estarem fora e corri para o quarto, batendo a porta. A angústia se tornava desespero, me deixando com falta de ar e a visão parecia oscilar entre cores. Hora eu via rosa, hora via azul, mas as cores originais não queriam voltar.

Quando senti que poderia desmaiar, comecei a gritar. Eu não sabia o que era, apenas fazia. Ouvia barulho de louça quebrando, mas não sabia se eu o provocava. Estava tão perdida que meus sentidos pareciam dormentes e não funcionavam. As lágrimas correram livres pelo meu rosto, me deixando ainda pior.

Não sabia o que estava acontecendo ao meu redor. Minha cabeça era um turbilhão de pensamentos e meu corpo não me obedecia.

-Loli? - olhei para trás, meu rosto molhado de lágrimas, e encontrei Paulo olhando para mim, com um corte no supercílio. Corri até ele e o abracei, me ajoelhando no chão no processo.

-O que aconteceu? Quem fez isso? - passei a mão em sua testa, limpando um fio de sangue que escorria. Aqueles segundos me fizeram lembrar por quê eu lutava tanto contra os meus problemas. Eu lutava pelo meu irmãozinho, pelo único que ainda acreditava que eu era uma heroína.

-Você 'tava chorando? - com essas palavras, ele me abraçou, se pendurando em meu pescoço, o que fez com que eu caísse no choro novamente. O apertei contra o meu corpo e o levantei do chão, o soluços me faziam tremer e eu acabei sentando no chão com Paulo no colo.

Meu irmão me contou que haviam ameaçado ele na escolinha, e eu prometi ir conversar com a professora assim que pudesse. Ainda sentados no chão, ele se aninhou em meu colo e ficou mexendo no zíper da minha blusa, enquanto eu balançava nossos corpos para frente e para trás. Aos poucos ele caiu no sono, chupando o polegar. Me levantei com cuidado e o carreguei até o quarto.

-Dorme bem, meu amor - beijei sua testa e fui para o meu quarto. Tomei um banho gelado e, depois de colocar apenas um shorts e uma regata qualquer, me joguei na cama, repassando várias vezes meu encontro com Vinícius em minha mente.

-Onde foi que eu errei? - eu murmurava, sentindo minhas têmporas começarem a doer.

Devo ter passado, pelo menos, vinte minutos desse jeito, pois logo ouvi o portão da garagem abrindo e fechando e o som de chaves sobre o balcão da cozinha. Quando a porta do meu quarto foi aberta, eu já estava coberta, fingindo dormir. Minha mãe era a última pessoa que eu queria preocupar no momento.

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