Vinícius

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-Lauren, espera! - ela já havia saído quando chamei. Paguei a conta e saí logo depois, tentando alcançá-la, porém, não obtive êxito. Lauren havia desaparecido em poucos segundos. Chamei por seu nome diversas vezes, mas não tive resposta.

Tirei o celular do bolso e disquei seu número, que já sabia de cor. A ligação caiu diretamente na caixa postal, no momento em que ela dizia para deixar uma mensagem, cancelei a chamada. Meus olhos percorreram a rua cinzenta, procurando pistas da direção que ela poderia ter seguido, mas não consegui nada.

Voltei para casa à passos lentos, debaixo de uma chuva que parecia nunca acabar. Sabia que ficaria doente, mas não me importava com aquilo. O olhar irritado de Lauren permanecia em minha mente, como se ela me culpasse. Eu não queria deixá-la mal, porém, ela parecia não querer entender que tudo poderia ser diferente. Eu me importava com ela de um jeito que nem mesmo eu entendia. Queria poder protegê-la de todo o mal que a assombrava, mas também queria que ela amadurecesse e que os vencesse sozinha.

Quando cheguei em casa, nem mesmo dei atenção ao meu pai, que estava chamando minha atenção, e fui direto para o quarto, depois de um banho quente. Me joguei na cama e abracei o travesseiro, enquanto desbloqueava o celular. Abri o Twitter e rolei o Feedback, lendo apenas o que me interessava, mas nada me mantinha distraído o suficiente para esquecer a cena da cafeteria.

Me peguei imaginando o que ela estaria fazendo à essa hora. Eram apenas sete da noite, a chuva havia piorado e tudo o que eu sabia sobre ela, era que ela escondia muito mais do que eu podia imaginar. Quando notei, estava re-lendo as mensagens que já havia trocado com Lauren. De cantadas ruins à segredos enviados durante a madrugada, com a tensão sendo quebrada por alguma piada, ou algum dos dois caindo no sono.

Não foram poucas as noites que passamos insones, na companhia um do outro. Pensar que poderia ficar sem falar com ela por um erro meu me corroía por dentro. Eu sabia que ela era sensível, a depressão não ajudava em nada, e eu acabei extrapolando o limite. Me sentei na cama e digitei seu número, eu precisava me acertar com ela.

Uma, duas, dez tentativas depois, eu ainda não havia conseguido uma resposta. Ela não respondia as mensagens, nem atendia as ligações, aquilo estava me enlouquecendo. Me sentia impotente. Não conseguia ajudá-la, mesmo que tentasse. Era como tentar subir uma rampa coberta com sabão, por mais que tentasse, sempre escorregava de volta.

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