Bônus - 4

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O avião estava prestes a pousar e minha ansiedade apenas aumentava com o passar dos segundos.

Depois de quase um ano, eu veria meus amigos novamente. Poderia abraçá-los, enchê-los de perguntas e fazer brincadeiras. Iríamos rir das nossas criancices e chorar por nossas perdas. Por alguns dias, eu seria completa novamente.

-Hey, garota! - um rapaz me balançou, me tirando do meu transe. Olhei para o avião vazio e me apressei em levantar.

-Obrigada. Eu estava meio avoada - comentei, levemente sem graça. Ele apenas riu e me deixou passar, saindo logo atrás - Er... meu nome é Lauren - abri um sorriso amarelo e o esperei na base da escadaria.

-Eu sou o Guilherme - ele era alto, tinha olhos castanho-escuros e cabelos castanhos. Me era levemente familiar, mas apenas abanei a cabeça e abri um sorrisinho, caminhando em direção ao portão que dava acesso ao aeroporto.

-Você não tem nenhum sotaque que eu conheça. De onde você é? - a curiosidade falou mais alto, o que me fez ficar com o rosto corado - Desculpa! Não precisa responder, se não quiser - ele riu da minha confusão e deu de ombros.

-Tudo bem. Eu sou do interior do Rio Grande do Sul.

-Você me é familiar. Já nos vimos antes? - apanhei minha mala preta de cima da esteira, esperando por minha mochila de mesma cor.

-Ah, eu tenho um canal no YouTube. Talvez me conheça de lá. - sua mala passou por nós, e ele a apanhou também. Ela era quase do dobro do tamanho da minha.

-Legal. Qual o nome? - puxei minha mochila da esteira e o acompanhei para o lado de fora da sala.

-Ai meu Deus! É o FrancamenteGui! - duas garotas correram na nossa direção e pularam sobre o rapaz, que se desequilibrou e caiu no chão - Desculpa, Gui! - elas se levantaram e o ajudaram a se levantar. Um riso fraco escapou dos meus lábios e eu pude ver a felicidade das duas ao encontrar o rapaz. Me afastei dos três e peguei meu celular, digitando o nome que uma das garotas gritou. O ícone do canal no YouTube era o rosto de Guilherme, o que me fez lembrar do tempo em que Vinícius desanimou do canal. Apertei em "Inscrever" e voltei a guardar o aparelho no bolso, quando as meninas se distanciaram.

-É sempre assim? - ri baixo, voltando a andar para fora do lugar.

-A maioria das vezes. Sabe, é uma sensação muito boa saber que o que eu faço, faz as pessoas felizes.

-Imagino. Eu só trabalho atrás das câmeras e já acho a interação maravilhosa! - olhei para os lados, procurando por Giuliana, mas não encontrei nenhum sinal da loira.

-Por trás das câmeras? Como assim? - assim que terminou sua pergunta, senti meu celular vibrar no bolso da calça. Giu me mandou uma mensagem, dizendo que não poderia me buscar.

-Eu faço estágio no estúdio de dublagem da Cartoon Network, em São Paulo, e edito os vídeos de uma amiga, quando ela está sem tempo - comentei, já procurando por um táxi. Guilherme pareceu ter ficado curioso, então, pegou o celular da minha mão, me assustando.

-Ei! Me devolve! - pedi, tentando alcançar o aparelho. O garoto havia levantado o braço e eu fiquei pulando ao seu lado, tentando recuperar o objeto.

-Espera um pouco, aí - dito isso, ele digitou algo e me devolveu o telefone, com um sorriso sacana - Eu preciso ir. Nos falamos depois - fiquei sem entender sua frase, enquanto o via se afastando, caminhando para perto de dois rapazes. Dei de ombros e olhei para a tela do celular, onde Mensagem enviada com sucesso piscava, seguido de um número salvo como França. Soltei um riso fraco e guardei o celular,  caminhando para perto de um ponto de táxi.

-Com licença? - me aproximei do único táxi vazio e esperei que o motorista descesse. Ele não devia ter mais de 25 anos. Tinha a barba por fazer, cabelos escuros e olhos verdes. A touca que usava mal cobria o cabelo comprido.

-Posso ajudar? - ele se apoiou na porta do automóvel, colocando as mãos no bolso único do moletom.

-Pode me levar à esse endereço? - entrego o papel mal escrito com o endereço de Giuliana e aperto as alças de minha mochila. Ele apenas assente e abre o porta-malas, colocando minha mala dentro. Entro no carro amarelo e já pego meu celular novamente, sentindo-o vibrar.

-Alô? - observo o motorista sair do estacionamento do aeroporto, enquanto os últimos raios de sol batem contra minha janela.

-Alô? Lauren? É o Guilherme.

-Ah, oi. Você é rápido, hein? Levou 20 segundos pra salvar seu número e ainda mandar a mensagem - brinquei, com um sorriso.

-Tinha que ser, não é? Você parecia estar com pressa.

-Festa de aniversário de um amigo. Eu estou bem atrasada - murmurei a última parte, com um sorriso sem graça, mesmo que ele não pudesse ver. Marcamos de nos encontrar no dia seguinte, e desligou no exato momento em que o carro parou, em frente ao prédio de Giuliana. - Lá vamos nós.

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