Colina iluminada

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          Os jovens voltaram para o castelo, passaram pela área de armamento, onde ficavam as armas e os barracões dos ferreiros, logo ao lado do pátio de treinamento.

          Eastar foi chamado por Garret, o ferreiro que iria fazer seu arco, rapidamente o homem baixo e barbudo tirou algumas medidas do jovem e pediu que ele levantasse um bloco de chumbo para medir sua força. Satisfeito com o resultado, mandou o casal embora para que pudesse trabalhar.

          Os dois continuaram para o castelo onde a princesa foi pegar seu alaúde, já que havia prometido tocar para o jovem estelar naquela noite. Ela decidiu que havia um lugar perfeito para isso.

          Eastar esperou por uns dez minutos antes que a princesa finalmente saísse pela entrada principal do castelo com o saco de couro que guardava seu instrumento nas costas. Eles não queriam que os guardas os vissem saindo da cidade, então resolveram se encontrar nos muros um pouco afastados dos portões.

          Quando o garoto chegou ao topo do muro, um dos guardas estava sentado em uma cadeira e debruçado sobre o muro com a lança posta de lado.

          — Oi.

          O guarda se virou para ele.

          — Ó, senhor Eastar, o que está fazendo aqui?

          — Gosto da vista.

          — Hum, se olhasse pra ela tanto quanto eu não sei se continuaria gostando tanto.

          — Imagino. — O jovem sorriu com ar simpático para o soldado. — Olhe, vou ficar aqui por um tempo. Se quiser descer um pouco não tem problema.

          — Isso seria ótimo, senhor. O rei disse que os muros deveriam ter sempre alguém de dois dias para cá. Não sei exatamente o porquê, mas não ganho para discutir com o meu senhor. — O guarda deu de ombros se levantando. — Como saberei quando devo voltar, senhor?

          — Não se preocupe com isso, pode tirar uma meia hora de folga. Quando voltar terei ido embora.

          — Hmm. — O soldado pareceu cogitar a proposta, então respondeu: — Tudo bem. Obrigado, senhor.

          — Não tem de quê.

          Eastar esperou um pouco antes de ir até a borda do lado interno do muro e acenar para princesa. Sindar estava parada fingindo que observava algumas flores em um jardim próximo à entrada da cidade, ela concordou com a cabeça e subiu as escadas.

          — Muito bem. Estamos aqui, só não entendi ainda como você pretende descer.

          — Simples, pulando.

          — O quê? Isso deve ter pelo menos uns dez metros.

          — Confie em mim. — Ele pegou a princesa no colo e pulou para cima da borda externa do muro.

          — Não. Para! Me põe no chão. A gente vaaaaaAAAAAHH!!! — O jovem pulou antes que a princesa completasse a frase, ela fechou os olhos e pressionou o rosto contra o peito dele, e apesar de ele não perceber, ela abriu um dos olhos e deu um sorrisinho antes de voltar para a cara de assustada quando tocaram o chão. — Morrer?

          — Eu disse para confiar em mim.

          — Exibicionismo, isso sim.

          — Também. — Ele piscou para ela e a pôs no chão. — Vamos?

A Crônica de EastarOnde as histórias ganham vida. Descobre agora