VOLUME 2 - O Conto de Morrigan

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CAPÍTULO 8

          Era uma manhã fria de outubro, e Morrigan andava pelos subúrbios da cidade...

          — O que são subúrbios? — Alguém perguntou e outras pessoas concordaram, curiosos.

          — São áreas mais pobres das grandiosas cidades que existiam antes da Previsão. — Sindar sorriu, percebendo que já começava a ganhar a atenção das pessoas em volta. — Essa história se passa em uma época onde os terráqueos tinham o que chamavam de tecnologia, algo que os permitia criar coisas maravilhosas e aterrorizantes.

          Um coro de "ooooohh" foi ouvido e a princesa voltou ao conto.

          Morrigan andava pelos subúrbios da cidade, tentando voltar para casa. Era difícil viver ali sendo uma mestiça. Os humanos não gostavam muito dos estelares naquela nação, e os mestiços costumavam viver em lugares pobres, se tornando criados ou funcionários de grandes fábricas na maioria das vezes.

          Ela não era diferente. Voltava do trabalho em uma grande fábrica de armas cinéticas clandestina, escondida nos subterrâneos perto da sua casa. Não era um trabalho que apreciava, mas pagava suas contas.

          — Já vi que vou ficar perdido em algumas partes dessa história.

          — Eastar...

          — Desculpa! — O jovem levou as mãos à boca, o que gerou algumas risadas.

          — Apenas preste atenção no essencial, tudo bem?

          — Sim, senhora. — Prestou continência e sorriu.

          — Olá! Ei, você aí.

          Morrigan olhou para o lado e viu um homem encapuzado em um beco chamando por ela. Não dava para ver seus olhos ou roupas, apenas uma luz por baixo do capuz mostrando que seria um sirion ou um estelar. Preferindo ignorar, ela seguiu em frente.

          O homem suspirou e foi atrás dela.

          — Garota, não tenha medo, por favor.

          — Prefiro não falar com estranhos, meu senhor.

          — Não sou exatamente um estranho, e não me chame de senhor. Pai seria mais interessante.

          — Do que você tá falando?

          O homem tirou o capuz e revelou os olhos completamente amarelos. Tinha os cabelos negros como os dela e o rosto magro. O nariz era fino e idêntico ao dela, assim como o sorriso, apesar de ser uma memória distante, já que ela não se lembrava da última vez que sorrira.

          — Desculpa ser tão repentino assim, acho que deveria ter feito uma visita primeiro com umas flores e um bolo, não é?

          Morrigan ainda o encarava, tentando absorver tudo. Ficou confusa, mas o estelar começou a falar da sua mãe e a contar muitas coisas para ela.

          Ele não tinha ido embora porque queria, mas era um soldado e tinha que cumprir seu dever. Ele se desculpou, e os dois foram conversando enquanto ela seguia na direção de casa. Por fim, ele suspirou e disse:

          — O que estou tentando dizer é que realmente queria te ver de novo... e que preciso de você.

          — "Precisa" de mim? — Morrigan perguntou, sarcástica.

A Crônica de EastarOnde as histórias ganham vida. Descobre agora