VOLUME 2 - Armadilha

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Capítulo 2

          O homem era velho e tinha um sorriso gentil. Seus cabelos eram tão brancos quanto o mármore do salão, curtos e colados à cabeça. Tinha os olhos verdes cheios de rugas e usava um manto branco que cobria todo o seu corpo.

          Veio andando em direção ao grupo, que desmontava e entregava os cavalos para os soldados. Eles levaram as montarias por uma porta do lado esquerdo, que parecia levar a um pátio aberto.

          — Um terrível erro este, não ter uma passagem direta para os estábulos. — O homem grisalho lamentou, olhando as marcas de cascos no chão.

          Suspirou e voltou a sorrir, encarando o grupo.

          — Creio que seguem para Brandevin, não é? Se juntarão ao nosso Rei Luís para vencer essa guerra estúpida de vez?

          — Sim, Lorde Greco. — Edwin se adiantou com a expressão séria. — Mas também trazemos notícias e avisos importantes.

          O conde olhou para o tenente, reparando na expressão séria do homem, depois se virou para o resto dos recém-chegados, analisando-os. Suspirou e bateu palmas.

          Três criados saíram das sombras e se colocaram alinhados na frente do lorde.

          — Preparem os quartos para nossos convidados. Também quero comida o bastante no salão superior. Sejam rápidos, ninguém merece ficar muito tempo sem se alimentar depois de chegar de uma viagem.

          Virou-se, então, novamente para o grupo e continuou:

          — Senhores e senhoritas, me acompanhem para que possamos conversar com tranquilidade. Assim que quiserem, poderão tomar um banho e descansar. Claro, podem fazer isso primeiro se quiserem.

          — Seria muito bom. — Remus agradeceu. — Acho que Edwin e Sindar podem ficar por conta das notícias. Vamos comer? — O gigante se virou para os outros.

          — Isso! — Eastar socou o ar, mas parou no meio do movimento.

          Era certo ele ir comer e não participar da conversa? Seu pai não estava mais lá para acompanhar as coisas. Tinha deixado essa responsabilidade em cima dele.

          O jovem rangeu os dentes.

          — Eastar, você vem? — Remus chamou.

          Ele, Allyn, Jaime e os garotos já acompanhavam outros serviçais que haviam aparecido.

          — Eu... eu como depois.

          — Tudo bem. — O sirion ruivo deu de ombros.

          — Podemos ir? — Lorde Greco perguntou ao trio.

          Edwin acenou com a cabeça, e eles seguiram pelo salão, rumo às escadarias.

          Durante o trajeto, o estelar via serviçais que pareciam surgir do nada, franziu o cenho e se virou para a princesa.

          — De onde eles estão saindo? — cochichou.

          — Olhe com atenção. — Ela apontou para a parede lateral do salão.

          Ele apertou os olhos e percebeu que havia várias portas ao longo do salão, tão brancas e lisas quanto as paredes, a única coisa que as denunciava eram as pequenas maçanetas retangulares.

          — Caramba, isso que é gostar de branco.

          — Na verdade, é mais como uma mania de limpeza. — A princesa cochichou de volta, olhando o Lorde conversando com Edwin mais à frente. — Greco odeia sujeira, e branco é uma cor onde a sujeira não consegue se esconder. A única coisa que o faz suportar conversar conosco antes de tomarmos banho é sua gentileza... e a cara séria de Edwin.

A Crônica de EastarOnde as histórias ganham vida. Descobre agora