VOLUME 2 - Ataque

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CAPÍTULO 9

          A madrugava avançava, todo o grupo dormia na grande tenda da família de Janine. O mascarado havia partido, já que era melhor não adormecer próximo às outras pessoas. Não aceitara o convite de ninguém que ofereceu um lugar para que dormisse sem preocupação, apenas montou em seu lagarto e se foi.

          Eastar não conseguia dormir. Aquela situação lhe embrulhava o estômago, uma guerra que as pessoas não queriam lutar e, no entanto, lá estava ele, buscando se afundar naquilo.

          O pensamento de que não tinha nada a ver com aquilo o incomodava. Depois de toda a conversa, ele percebeu que realmente poderia apenas voltar para o espaço. Juntar-se ao pai e se esquecer disso, afinal, rapidamente passaria, o mundo seguiria em frente como sempre fez.

          Ele nunca foi necessário ali, então por que diabos se envolvia? Por que os estelares desceram pra início de conversa? O que aquilo tinha resolvido? A guerra continuava, os terráqueos estavam prestes a se matar, e eles ainda não queriam se unir.

          — Não consegue dormir?

          Ele se virou e viu que Sindar o encarava. Os cabelos ruivos cobrindo parte de seu rosto enquanto os olhos amarelos brilhavam.

          — É só que eu não consigo entender vocês.

          — Não se preocupe, nem nós conseguimos.

          Os dois sussurravam para não acordar os outros.

          Ele deitou de lado, colocando um dos braços sob a cabeça e olhou firme para a princesa.

          — Acha que eu sou idiota por estar aqui?

          A jovem segurou o riso.

          — Garotão, você é um completo idiota, alguém completamente ingênuo e inocente.

          — Às vezes fico confuso se você gosta de mim ou não.

          Ela se inclinou sobre ele, tirou os cabelos negros dos seus olhos e passou a mão no seu rosto.

          — Eu amo você.

          Ela olhou firme para ele, mas percebeu que ele continuava agoniado demais com a situação. Suspirou e começou a se levantar.

          — Onde você vai?

          — Já que não conseguimos dormir, vamos dar uma volta.

          Os dois saíram da tenda e seguiram rumo ao pequeno lago. Ao se aproximar da margem, coberta por uma grama rala, a princesa seguiu até uma árvore alta e esguia que terminava em folhas grandes, maiores que uma pessoa.

          Ela bateu no chão ao seu lado e Eastar se sentou.

          — Olha, as pessoas pensam demais às vezes, e isso acaba deixando-as perdidas. Não sabem o que é melhor pra elas e para os outros. O caminho certo ou o mais fácil? Um pequeno sacrifício por nada ou um grande por algo importante? São escolhas difíceis.

          — Mas, se você pode proteger outros, por que não fazer isso?

          — E se fizerem? Você garante que eles verão a família de novo? Garante que não perderão ninguém?

          — Não..., mas...

          — Eastar... — Ela olhou para a as estrelas. — Vocês podem não entender o que é perder alguém que se ama, mas nós sabemos muito bem como é isso.

A Crônica de EastarLeia esta história GRATUITAMENTE!