Seguindo em frente

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          Todos se reuniram em um círculo em volta do túmulo improvisado.

          Ficaram em silêncio, o corpo de Relles estava ao lado do buraco, coberto por um manto marrom que Remus tirou de um de seus alforjes. Eastar tinha os olhos cheios de lágrimas enquanto abraçava Sindar, apoiando seu queixo no topo da cabeça dela. Até mesmo o velho estava lá, quieto e com o chapéu de palha na mão.

          — Remus, você pode voltar pra Londrian e enterrar o Relles lá. — disse Edwin, encarando o gigante com pena.

          O homem ruivo balançou a cabeça, negando com firmeza.

          — Sempre dissemos um para o outro que seriamos enterrados aqui. Uma vez até procuramos a antiga caverna dos lobos, mas os séculos mudaram tudo aqui. Mesmo assim, acho que ele gostaria de ficar no meio da floresta. — Remus deu um pequeno sorriso com o rosto sujo de choro e terra. Ele caminhou até perto do corpo e se virou para os outros.

          Eastar o olhava tentando lhe dar um sorriso de apoio, mas seu rosto parecia feito de borracha e rapidamente a expressão desolada voltava. Relles girou a cabeça, olhando para todos. Suspirou e, para surpresa do grupo, sorriu de novo. Um sorriso leve e sincero.

          — Contei pra vocês como o Relles sempre adorou o Rei Trembor. Ele passava horas admirando sua estátua e dizendo que seria como ele um dia. Sempre quis ser o guerreiro mais famoso e mais poderoso de todos. Enquanto isso, eu apenas o admirava. Não tinha nenhum interesse em lutas.

          Sindar começou a soluçar no peito de Eastar, quando as palavras do gigante invocaram a morte do seu avô e, por consequência, do seu irmão também.

          Sean e Drun estavam sentados, abraçando os joelhos, e olharam tristes para o gigante que continuou:

          — Ele nunca cobrou nada de mim e acho que por isso eu sentia mais vontade a acompanhá-lo. Ele sempre cuidou de mim e eu sempre temi que um dia não conseguiria fazer o mesmo por ele.

          Lágrimas tornaram a rolar pelo seu rosto, ele usou uma de suas enormes mãos para tentar limpá-las, se sujando ainda mais.

          — Ele era impetuoso e cabeça dura, insensível e grosseiro. E eu o amava, amava muito. Lembro de quando ele me deu a primeira dica em que jovem investir e na primeira amiga que apresentei a ele. Lembro de todas as nossas histórias amorosas na juventude e todas as discussões que tivemos. Mas no final sempre terminávamos no lugar de sempre. Deitados em nossas camas rindo de tudo o que fizemos e planejando como os soldados veteranos no dia seguinte. Bem... isso era mais ele, mas eu sempre o acompanhava. No entanto, acho que agora...

          Ele parou de falar e começou a ser tomado por soluços. Allyn foi até ele e tocou suas costas. O sirion a olhou e balançou a cabeça, se recuperando e terminando de dizer:

          —... terei que aprender a viver como um só.

          Remus se agachou ao lado do corpo do irmão, olhou para o cobertor, pôs uma mão no rosto e começou a dar pequenos soluços. Aros também saiu do círculo, se juntando a Allyn enquanto consolavam o sirion ruivo.

          Edwin e Jaime se posicionaram, cada um em uma ponta do cobertor, pegaram o corpo e o depositaram na cova rasa. Eles a haviam cavado com galhos, cutucando a terra e a remexendo, depois tirando com as mãos.

          Remus pegou o primeiro punhado de terra e se levantou. Olhou para o corpo coberto pelo que pareceu um longo minuto e, com um suspiro, jogou a terra.

A Crônica de EastarOnde as histórias ganham vida. Descobre agora