Passeio

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          Um homem passou pelo portão seguido por um jovem e um grupo de vinte guardas vestindo cota de malha e carregando espadas na cintura. O homem vestia uma túnica verde com bordados de estrelas douradas, era baixo, com uma barriga e barba bem grandes, usava uma coroa sobre a cabeça calva. Ele usava uma capa dourada que lhe chegava aos tornozelos e sorria para os recém-chegados.

          Os estelares atravessaram a ponte e foram recebidos pela comitiva.

          — Olá senhores! Que bom receber estelares no nosso reino! — O anfitrião juntou as mãos. — Já faz uns cem anos que não temos a visita de um legionário aqui em Londrian. Assim que os guardas nos muros viram a queda de vocês, me avisaram, e fiz questão de vir recebê-los!

          — Olá, majestade, muito obrigado pela consideração.

          O comandante começou com uma pequena mesura, ao ver que o filho não acompanhava, segurou sua cabeça com força e a empurrou para baixo.

          — Ai... tá bom, já sei — sussurrou o garoto.

          — Meu nome é Aros, comandante da Tropa Central, é uma honra ser recebido pelo se...

          — Aros? Ooooohhh... Eu conheço esse nome!

          O rei o interrompeu abruptamente, seus olhos eram amarelos, mas apesar de brilharem como os dos estelares, eles tinham formação humana, com íris e pupila.

          — O comandante que quase morreu soterrado na Previsão? Sabe, ouvi muitas histórias ao seu respeito, senhor comandante, todas elas incríveis, dizem que a sua força é cultuada mesmo entre os soldados celestes. A honra é minha em recebê-lo no meu reino. — Dessa vez o anfitrião e seus seguidores fizeram uma reverência ao grande comandante. Logo depois, se lembrando de algo, disse — Inclusive, se não me engano, essa imagem foi inspirada no senhor, não foi?

          A imagem mostrava um homem barbudo encarando de frente uma espécie de lagarto gigante. "Ha!" Foi o que passou pela cabeça de Eastar, ele bufou sabendo que seria obrigado a aguentar o pai se gabando por isso depois. Aros, no entanto, não tirou sarro da expressão de gracejo do garoto, algo que o surpreendeu.

          — Sim! — O Comandante pôs uma mão no queixo, analisando a imagem do portão. — Um entalhe muito bom, majestade, e uma história que posso lhe contar se quiser. — Coçou a barba, tentando se lembrar de algo importante que havia esquecido. — Ah sim! Este é meu filho.

          — Filho? — O rei arregalou os olhos e se virou rapidamente para o jovem pajem que tinha caneta e papel na mão. — Espero que esteja anotando o que acontece aqui, garoto, uma visita dessas não pode deixar de ser registrada.

          — Sim, senhor.

          — Ótimo, ótimo... Então, comandante, nunca soube de histórias sobre você ter um filho sirion. Ele não mora no Reino? E os soldados disseram que viram dois estelares descendo, onde está o companheiro de vocês?

          — Na verdade, meu filho é um estelar, majestade. — Aros abriu um sorriso cheio de dentes e apertou a bochecha do filho, que só pode se contorcer e lacrimejar com a dor. — Ele nasceu no dia da Queda, minha mulher faz parte da Tropa Sul. Esse pivetinho é a primeira estrela que conhecemos a nascer de duas outras.

          — Minha nossa! Isso... isso é fantástico!... Mas os olhos são azuis, sempre pensei que estelares homens tivessem os olhos amarelos.

A Crônica de EastarOnde as histórias ganham vida. Descobre agora