Herói

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          Ali parados, sem saber o que fazer, os dois esperaram.

          O barulho foi ficando mais alto, curioso, Eastar resolveu seguir em frente na direção em que vinha o som. Quando passou pela primeira árvore, saindo da clareira, ouviu um barulho ainda maior, e uma árvore caiu atravessada na sua frente.

          Ele olhou para a esquerda e viu um animal enorme, lembrava muito um touro, com uma pelagem negra e lustrosa, chifres do tamanho de um homem se curvando em arco, os cascos criando sulcos no chão enquanto ele pastava, o problema é que este deveria ter pelo menos cinco vezes o tamanho de uma mimosa qualquer.

          Eastar abriu a boca sem conseguir dizer uma palavra. Parecia uma casa ambulante sobre patas e que bufava muito pela boca.

          A criatura parecia vir pastando por aquelas partes e sem querer foi dar no lugar onde estavam. Ele não viu o garoto que se achava atrás de uma árvore, mas viu Sindar, ela olhava boquiaberta para aquele grande touro.

          A criatura bufou e bateu as patas dianteiras no solo. Não gostava nem um pouco de humanos e tinha cicatrizes no dorso que lhe davam motivos para isso. De repente se arremeteu na direção da princesa.

          Eastar não teve tempo de pensar, apenas viu o touro gigante indo para cima da garota e correu atrás dele. Em questão de segundos estava ao lado das patas dianteiras do bicho e lhe deu um empurrão com o ombro, o touro foi jogado para o lado, rolando e parando perto da cratera.

          Sacudindo a cabeça e mugindo, o touro se levantou furioso.

          — Vamos lá, chifrudo, por que não pega alguém do seu tamanho?

          Assim que completou a frase percebeu que não era bem esse o caso. O touro resolveu que ele faria um alvo melhor e disparou na direção dele, que bem no último momento pulou para o lado escapando por pouco dos chifres.

          O jovem estelar rolou no chão e deu uma olhada para conferir se a princesa estava bem, ela estava muito pálida, seus olhos estavam arregalados e sua boca estava aberta em espanto, ele decidiu que estava tudo normal e se virou para a casa chifruda ambulante.

          — Muito bem, grandão, se é assim que vai ser... Então venha!

          O touro mais uma vez investiu para cima de Eastar, que, preparado, gritou e correu ao encontro do animal. No momento em que a criatura abaixava a cabeça e preparava para enfiar seus chifres nele, o garoto deu um passo para o lado com uma velocidade incrível, e com o impulso da corrida, deu um soco na lateral da cabeça do touro usando toda a sua força. A pancada foi tão forte que se ouviu o som de ossos se quebrando e o touro foi jogado no chão, deslizando para o lado devido à força do golpe que recebeu.

          — Opa! — Eastar recuperava o equilíbrio pulando em um pé só. — Aaaahh, então é assim que se freia... — Se virou para a princesa sorrindo. — Que bicho enorme! É esse o tipo de coisa que você fica caçando? É um pouco perigoso, não?

          Sindar não respondeu, estava sentada no chão olhando para ele, perplexa com a naturalidade que ele falava a respeito de abater um animal que dez homens ou sirions juntos não conseguiriam.

          — O que foi? Tá me olhando como se eu fosse outro desse bicho — disse apontando o animal caído perto dele.

          — Cornaro.

          — Oi?

          — Cornaro é o nome dessa raça de touros, vivem ao oeste nas encostas das montanhas.

A Crônica de EastarOnde as histórias ganham vida. Descobre agora