VOLUME 2 - Separação

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CAPÍTULO 3

          O grupo seguiu para o leste, precisariam se distanciar da cidade o mais rápido possível e, só então, achar um caminho alternativo para o norte, passando pela ponta do Mar de Areia.

          Não pararam até a noite cair, não conversaram muito.

          Iriam partir antes do sol nascer, tinham que impor uma boa dianteira, pois havia o risco de estarem sendo perseguidos.

          Eastar não fez esforço para conversar, sua cabeça estava agitada.

          Ele estava lutando contra terráqueos. Por quê? Que tipo de batalha era aquela onde tentavam matar pessoas desprevenidas? Aquilo não era certo, não era uma luta, não havia emoção ou honra, era trapaça.

          Percebeu que cerrava os dentes e tinha os punhos fechados enquanto encarava a fogueira. Respirou fundo, fechou os olhos e se concentrou.

          Desde que seu pai partira, não havia praticado mais aquilo. Era prazeroso sentir as energias que compunham o espaço ao seu redor, sentir a presença dos companheiros e o som da energia que pulsava dentro deles.

          Abriu os olhos e viu a beleza de luzes que o rodeava. Como veias coloridas, a energia transitava por dentro da terra e das árvores, da mesma forma que no corpo do grupo, a maioria dormindo, exceto Edwin e Jaime.

          Abaixou os olhos e viu as próprias mãos, uma luz azul as inundava e ele conseguia visualizar a fina película transparente que cobria o seu corpo, impedindo que absorvesse a energia da fogueira.

          Olhou para cima e viu a explosão de luzes no céu, parecia que os estelares brilhavam muito mais que o normal, ele pensou por um momento que conseguia sentir a energia de cada um, quente como o vento em um dia ensolarado.

          Caindo para trás, ele deitou, pensando na mãe.

          Ela tentara lhe avisar, passara tanto tempo tentando ensiná-lo sobre os terráqueos, obrigando-o a estudar e entender como viviam, mas ele nunca prestara atenção, preferia lutar com o pai ou dançar com algumas estrelas próximas.

          Se ele soubesse, se soubesse como aquele mundo era complexo...

          Nunca tinha visto a vida de um estelar como simples, mas agora percebia que não havia nada demais, uma vida de amizades eternas, treinos e satisfação. No planeta eles tinham tanta coisa, tantos objetos, motivos, valores.

          Aquilo era assustador.

          Fechou os olhos, deixando de sentir as energias, ou como ele estava passando a chamar, "a visão de luz".

          Sorriu então, sentindo o cheiro do cabelo de Sindar, que estava adormecida ao seu lado. Sim, esses seres eram complexos, mas havia beleza ali, e ele iria conquistá-los, iria ajudá-los a fazer a beleza se sobressair.

          — Não devíamos continuar para o leste.

          A voz baixa de Jaime chegou aos seus ouvidos.

          Olhou para a frente e viu que ele estava próximo de Edwin, o tenente cruzava os braços e refletia alguma questão que só ele sabia.

          Curioso, o jovem se levantou e se aproximou dos dois.

          — Saiu do transe, garoto? — O tenente sorriu, oferecendo um odre de vinho.

          — Ainda temos vinho? — O jovem perguntou enquanto concordava com um aceno de cabeça.

A Crônica de EastarLeia esta história GRATUITAMENTE!