Capítulo Vinte e Oito - Hannah

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Naquela manhã acordo mais cedo do que o normal, porque o meu celular está tocando, e quando vejo é Frank que está no visor do celular.

— Alô! — eu atendo.

— Hannah, é você?

Claro que sou eu, afinal, ele ligou para o meu número!

— Sim, Frank... – falo com a voz rouca por causa do sono recente.

— Eu te acordei? – ele pergunta com um pouco de arrependimento em sua voz.

— Sim, mas não tem problema. O que houve?

— Eu preciso falar com você e é urgente. Podemos nos encontrar ainda hoje?

— Claro! – respondo, mesmo que começando a ficar confusa. Porque há tanto desespero em sua voz?

— E desculpe, – ele diz — mas precisaremos remarcar ou adiar nosso encontro. Tudo bem?

— Ok...

— Até depois! – ele nem me dá tempo de completar a frase, apenas me manda uma mensagem com o lugar e a hora de nos encontrarmos.

Espero por ele na Ponte do Milenium, lugar onde ele marcou de encontrar-se comigo, e estou quase morrendo de ansiedade e preocupação. Frank está alguns minutos atrasado.

Talvez eu tenha vindo um pouquinho mais cedo, apenas por causa da ansiedade...

— Hannah! – escuto sua voz que me tira dos devaneios e me viro.

Por um momento quase penso que ele voltou a trabalhar no hospital, mesmo estando de férias, porque sua aparência deixa isso subentendido. Ele parece acabado e como se estivesse há noites sem dormir.

É claro que minha preocupação aumentou por isso.

Fico mais nervosa quando vou beijá-lo e ele desvia o rosto.Esse gesto faz com que meus lábios pousem em sua bochecha e que meu coração se aperte.

O que teria acontecido?

— Tudo bem? – pergunto.

— Tudo. – Ele mente — E você?

— Sim... Então? O que aconteceu?

— Antes de você reaparecer – ele hesita... Nós começamos a atravessar a ponte. — Alguns anos, na verdade... Eu era casado.

Reflito sobre a situação.

Ok. Ele foi casado e agora está comigo. Pessoas entram e saem de relacionamentos mais vezes do que deveriam, mas, pelo que eu sei,- nós estamos juntos e é isso o que deveria importar.

— E? — incentivo Frank a falar. Nós paramos na metade da ponte e encostamos no parapeito. De súbito, Frank parece mais interessado na estrutura da ponte do que na nossa conversa.

— Eu terminei com ela porque ela me traiu. Eu a vi transando com um cara na nossa própria cama... E agora ela voltou, dizendo que tem um filho meu e que quer esclarecer por que ela sumiu por dez anos, amanhã, numa cafeteria próxima de casa. Mas, eu precisava falar com você primeiro, antes de com ela.

Solto o ar que eu nem sabia que estava segurando. É tanta informação! O certo seria dar um tempo?

— Frank... — eu falo angustiada.

— Eu não vou trocar você por ela, você sabe que, desde sempre, eu escolhi você. Se, por algum motivo eu fazia todo aquele mal para você, quando éramos adolescentes, era porque... meu coração, naquela época e mesmo sem saber, já tinha te escolhido para ser aquela que iria me fazer feliz como merecemos. – ele diz com uma convicção que chega a me assustar. — E, se eu estou aqui hoje, é porque eu quero ser honesto com você e que você seja comigo. Sei que o que você decidir vai ser o melhor pra gente. Confio em você para tomar qualquer decisão que for.

— Acho melhor darmos um tempo – quando eu vejo, as cinco palavras já escaparam pela minha boca. Encaro Frank e espero dele uma reação brusca, me dizendo para parar e que nós ficaríamos juntos, mas ele me surpreende, mais uma vez.

— Ok. – ele diz — Acho que eu já esperava por isso. Mas, quanto tempo?

— Até você ser resolver com ela...

— Rebecca. — ele diz o nome dela, mesmo eu realmente não querendo saber. — Tudo bem. Eu prometo resolver essa situação o mais rápido possível, mas Han...

Han? Eu coro. Ele acabou de inventar um apelido para mim. Não que Han fosse um apelido muito fora do comum para Hannah, mas ninguém tinha me chamado de um apelido que soasse tão bonito quando ele o pronunciou.

— Desculpe — ele pede.

— Tudo bem, eu gostei – respondo e sinto que ele relaxa.

— E Han, se tudo isso for verdade, você sabe que eu terei que estar presente na vida do meu filho, não sabe? – ele pergunta — Mas como eu disse, não ficarei com Rebecca, porque eu já escolhi você. Eu só preciso ajeitar tudo porque aquela criança não tem culpa.

— Sim, ele não tem culpa – concordo.

— Mas, posso te pedir uma coisa? – ele pergunta depois de um tempo em silêncio e eu balanço a cabeça em uma resposta afirmativa — Me beija uma última vez antes do nosso tempo?

Ele não precisa pedir mais que uma vez.

Sei que estamos num lugar público e que pessoas podem estar nos observando. Mas, não me importo.

Sinto vontade de chorar durante o beijo, mas faço um esforço fora do comum para conter as lágrimas. Frank termina o beijo com selinhos quando o ar já se faz necessário.

Olho nos seus olhos e digo:

— Só resolva tudo e volte o mais rápido que puder para mim, ok?

— É claro, Han!

Ele me abraça, e ficamos observando, por não sei quanto tempo, aquela paisagem. Depois de alguns minutos assim, ele se oferece para me levar para casa, e eu recuso. Uma caminhada agora não me faria mal.

Durante a volta, eu paro em uma cafeteria e compro um café quente, mesmo que a hora do almoço esteja próxima. Não quero almoçar, quero um café para esquentar meu corpo já que Frank não estará mais disponível para fazê-lo por um tempo.

Mas, a questão que fica martelando na minha cabeça desde que deixei a ponte é, por quanto?

Por quanto tempo eu estaria disposta a esperar por ele? Sei que é humanamente impossível esperar para sempre.

Quando percebo, uma lágrima solitária rola. Eu espero que Frank resolva isso logo para que eu possa sentir o seu abraço de novo porque, como ele havia dito, ele me escolheu... Ele é sortudo por ser uma decisão recíproca.


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