Capítulo Trinta - Hannah

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— Vamos logo para essa porcaria de balada!

Porque mesmo eu fui falar para Beth que Frank pediu um tempo?! Dois dias haviam se passado e eu poderia ter mantido minha boca calada, mas nada se compara a um belo desabafo com a melhor amiga. Entretanto, parece que Beth simplesmente não irá mudar de ideia sobre eu precisar me divertir.

Estou deitada na minha cama, na maior folga que eu poderia ter, falando com Beth pelo celular.

Pois bem, eu concordo com ela, só acho que boate não é o tipo de diversão que o momento pede.

— Não vou pra balada agora,Beth, não importa o quanto você insista. – falo e encerro a chamada.

♥ ♥ ♥

— O que você está fazendo aqui? – pergunto, assim que abro a porta de casa. Eu já havia dormido novamente depois da minha ligação para Beth e estranhei quando a campainha tocou.

— Eu vim te chamar para a balada!– ela dize eu reviro os olhos. Não basta encher o saco por telefone, ela precisa vir pessoalmente me dizer isso?

♥ ♥ ♥

— Eu não acredito que você me trouxe até aqui — resmungo irritada, enquanto olho ao redor, pessoas dançando, e algumas já extremamente bêbadas, mesmo que ainda seja cedo para isso.

Ela tinha ido até a minha casa para me pegar. Eu não queria estar aqui, mas, se eu não fosse, Beth ficaria mais insuportável do que já é. Nós viemos de metrô porque, nem eu e nem ela, queríamos ser pegas dirigindo bêbadas ou,pior, causar um acidente.

— Por favor, para de fazer essa carranca, Hannah! – ela pede. — Vamos dançar.

Não foi uma pergunta e sim uma afirmação.

Eu ergo uma de minhas sobrancelhas. Nós duas estamos sozinhas, com quem eu dançaria?

— Ok gênio, com quem eu vou dançar? – pergunto com um tom claro de deboche. Estou irritada com Beth.Na verdade, estou irritada com o mundo e estou descontando nela e ela sabe que não deve levar minha grosseria a sério.

— Comigo! – Beth dá de ombros e me puxa para a pista de dança. Tento me esquecer do mundo e dos meus problemas, por alguns minutos apenas, prestando atenção em como o meu corpo se move tão bem de acordo com a batida da música. Eu nunca gostei muito de dançar. Ao invés disso, sempre preferi o canto, mas acho que era por eu nunca ter experimentado de verdade.

— Dance sozinha – ela fala, me deixando um pouco confusa, mas logo em seguida ela completa a frase: — ou faça como eu e arrume alguém.Eu já tenho minha presa da noite.

Eu rio dela, e segundos depois Beth some da minha vista.

Ao invés de esperar alguém chegar a mim para me fazer companhia na dança, eu paro de dançar e vou em direção ao bar. Já que estou aqui, nada mal eu abusar com alguns drinks... Aliás, faz muito tempo que não tomo nada alcóolico... Talvez Beth tenha razão e a situação esteja pedindo para isso.

— Qual é o mais forte que você tem por aí? – pergunto ao barman que me envia um sorriso.

— Te preparo um em dois minutos– ele responde e vai pegar minha bebida.Vejo, então, alguém chegar do meu lado e encostar-se ao balcão do bar.

— Porque precisa do mais forte? – era um rapaz que deve ter entre os seus vinte a vinte e cinco anos.

— Porque sim – respondo.

— Ei, barman! – ele fala um pouco mais alto — Traz o mesmo dela pra mim.

Eu reviro os olhos quando o vejo balançar a cabeça num gesto afirmativo.

— Problemas? – pergunto de volta e ele me dá um sorrisinho que chega a ser irritante.

— Elas são umas vadias! – ele diz — Todas elas.

— Hã? — pergunto e nisso nosso pedido chega e ele toma quase tudo em dois goles.

— Ela me traiu. – mordo meus lábios. O cara na minha frente então é um chifrudo — E você?

— A "ex"do meu voltou.

— Barman, traz mais dois desses! – e então, eu e meu novo amigo,cujo nome até agora desconheço, passamos as próximas horas bebendo e bebendo.

— Vem, vamos pra casa – é a voz de Beth que interrompe minha conversa com o rapaz que eu descobri que se chama Joe. — Você já está pra lá de bêbeda.

— Eu quero ficar mais!– resmungo. Beth dá um suspiro — Este é Joe, e Joe esta é a irritante da minha amiga Beth.

— Prazer, Beth!– ele diz meio embolado com as únicas duas palavras da frase. Ele está tão bêbado quanto eu.

— Vamos embora, Hannah – ela impõe da mesma forma como me chamou para dançar: ela não está perguntando, está dizendo que é isso e pronto.

— Não! – eu retruco e pego o copo que está na bancada, e levo-o desajeitadamente até a boca e quase deixo a bebida forte, que eu já nem sei mais qual é, molhar a minha blusa.

— Vamos logo!– Beth insiste. Não dou muita atenção para a sua insistência. Eu já estou ferrada mesmo com toda essa bebida! Mais um gole não me faria mal, apesar de saber que, no dia seguinte, acordarei com uma ressaca infernal.

Beth me puxa pelo braço e, quando eu olho para a porta da boate, minha boca se abre em total surpresa. Mas, o que Frank está fazendo aqui?!



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