Capítulo Vinte e Sete - Frank

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A figura daquela pessoa na minha frente me fez querer vomitar. Lembrar-me de toda a mentira que ela me fez sofrer, me fez odiá-la ainda mais.

♥ ♥ ♥

- O que significa isso? - perguntei gritando quando entrei no meu quarto... Que deveria ser meu e dela.

O homem desconhecido saiu de cima de Rebecca no mesmo instante em que minha voz ecoou no quarto.

Eu não precisava de uma resposta para aquilo que estava bem óbvio. Rebecca estava me traindo.

♥ ♥ ♥

É claro que depois que eu descobri a traição nós nos separamos e, pelo que fiquei sabendo, Rebecca tinha ido para bem longe de Londres, Nova Iorque. Só fiquei sabendo disso porque a minha mãe - e eu não a perdôo por isso até hoje - acha que eu fui muito rude com Rebecca e que ela merece uma segunda chance.

Nunca vi uma sogra gostar tanto de uma nora, mesmo que agora ela já tenha se tornado "ex" há vários anos. Tudo o que eu sabia que Rebecca estava fazendo era através da minha mãe e o lado bom de não conversar mais com minha mãe era não ter notícias de Rebecca.

Eu estou tão distraído com meus pensamentos que nem percebo o telefone tocando. Quando vejo a foto de Hannah no visor - ignorando totalmente a mulher na frente da minha porta - eu atendo o celular.

- Frank! - a voz irritante de Rebecca diz, assim que desligo o celular - Eu preciso de sua ajuda.

- O quê? - pergunto sem acreditar no que ela está me dizendo- Você me trai, some por dez anos e depois simplesmente diz que precisa da minha ajuda? Rebecca, vai vá se ferrar! E, aliás, como você descobriu meu novo endereço?

- Sua mãe - ela responde.

É claro. Quem mais poderia ser? Inferno!

- Rebecca, dê o fora daqui antes que eu chame a polícia.

- Hã? - ela pergunta confusa - Não pode estar falando sério. Frank, nós precisamos conversar. Se você não me ajudar sua mãe não vai me deixar na mão porque você sabe que...

Pra minha mãe não existe nora melhor que a vadia na minha frente. Respiro fundo, tentando controlar o nervosismo.

- O que você quer?

- Eu tenho um filho e ele é seu - ela diz e eu juro que ela está brincando.

- Você só pode estar de brincadeira com a minha cara! Porque, depois de dez anos, você vem me falar essa palhaçada? Sai daqui, Rebecca.

- Você tem! - ela insiste com a voz tão fria que chega a me assustar - Você pode tirar suas dúvidas comigo, ele está louco pra conhecer o pai e eu não posso adiar mais.

- Como vou saber que o filho é meu,- pergunto irritado - e não daquele cara com quem você me traiu?

- Você se lembra que naquela semana eu voltei a tomar minhas pílulas anticoncepcionais e o susto que tomamos duas semanas antes porque eu esqueci de tomar? Eu apenas não contei pra você que minha menstruação tinha atrasado e eu estava enjoada...

- Droga! - passo as mãos no cabelo, lembrando claramente do susto que tomamos quando Rebecca esqueceu-se de tomar as pílulas por uma semana.

- Eu vou embora,- ela diz- mas você deve aparecer nesse endereço amanhã,às 11 horas,caso queira explicações - ela me entrega um papel e eu me seguro para não amassá-lo de raiva.

- Ok. Agora será que dá pra você sair da minha casa? Obrigado.

Ela o fez. E eu me controlo para tentar não fazer força ao fechar a porta de casa.

Que droga! Sinto meu estômago começar a embrulhar. Um filho! Eu tenho um filho de Rebecca!? Mas porque ela apareceu só agora? Ela definitivamente precisa de alguma coisa para aparecer. Respiro fundo e me escoro na porta.

Não sei por quanto tempo eu fico encarando o nada. Minutos ou horas? Parece que eu simplesmente havia perdido a noção do tempo, que só volta quando a campainha toca e só aí eu me lembro que Elena ainda viria me visitar.

Levanto-me e abro a porta para ela, que está com a sobrancelha franzida. Não tenho tempo de perguntar nada porque logo dois pedacinhos de gente estão me abraçando fortemente.

Abraço os dois de uma vez só e isso me faz pensar em como seria abraçar meu filho. Engulo em seco e os convido para entrar.

- Crianças, porque não vão assistir TV enquanto eu converso um assunto importante com o tio Frank? - Elena pergunta e eu fico confuso, mas mesmo assim guio os pequenos para o sofá e depois vou para a cozinha com Elena.

- Posso saber porque a sua "ex" voltou ou vai ficar enrolando pra me dizer alguma coisa? Eu cheguei aqui e a encontrei saindo do seu apartamento.

Conto o que aconteceu para Elena e ela me pede um copo de água enquanto processa toda a informação na qual eu mesmo ainda não acreditara. Eu tenho mesmo um filho? Ele deveria ter uns nove ou dez anos se minhas contas estivessem certas.

- Que inferno! - ela diz e eu balanço a cabeça, concordando. - Você vai encontrar-se com ela?

- Eu fiquei curioso, acima de tudo - respondo - e, se for verdade, -engulo em seco - eu tenho um filho, Elena. Tem noção disso? Ele não me conhece e eu...

- Respire fundo, Frank - quem me entrega um copo de água é Elena e eu tomo tudo em um gole - quem traiu uma vez, pode trair mais. O que eu quero dizer é que eu sugiro que você se encontre com Rebecca, mas também não acredite em tudo o que ela te falar.

- O que dificulta minha vida é que minha mãe quase venera Rebecca - resmungo - e eu ainda não entendi porque ela a ama tanto assim. Ela me traiu na minha própria casa. Que droga!

- São respostas que você só vai descobrir se reaproximando de todo mundo - Elena diz com pesar na voz. - Eu sinto muito, Frank, mas, para ser sincera, é até bom que você esteja de férias.

- Mas, e Hannah? - eu questiono. Eu não quero deixar Hannah, principalmente agora que as coisas parecem estar se acertando.

- Não é porque sua ex voltou que você deve terminar com a sua atual, - ela responde - mas é melhor que você esclareça as coisas com ela para ela não descobrir por outras pessoas porque, aí sim, a coisa poderia ficar muito pior.

Suspiro e sinto que estou bem mais calmo.

- Obrigado, Elena. - Agradeço.

- Não há de quê. Vamos nos juntar àqueles dois que estão, provavelmente, fazendo bagunça na sua sala - ela diz, rindo, e me puxa pelo braço para a minha própria sala.

Eu sorrio ao ver a cena dos dois meninos achando graça de qualquer piada boba que se passa no programa.

Talvez, ter um filho não seja tão ruim assim, mesmo que a mãe não seja o melhor exemplo de pessoa.

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~obs:

Mil desculpas por enrolar tanto assim pra postar <\3 mas acontece que esse mês estou participando do NaNowriMo então está tudo uma bagunça aqui rs Não sei se vou conseguir certinho com a data de postagem, mas sempre que eu puder atualizarei aqui <3 e queria agradecer  a todo mundo que leu até agora e a quem vai continuar lendo *-* chegamos a 1k de leituras!


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