Capítulo Vinte e Dois - Hannah

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Quando chegamos Frank estaciona o carro na frente da casa.

— Podemos soltar Banzé – eu falo — está tudo bem; nós temos grades em volta da propriedade. Ele não vai fugir.

Frank sai do carro e faço o mesmo. Ele abre a porta do passageiro e o pequeno filhote, eufórico, desce também.

Banzé está alegre e começa a latir e pular, correndo ao redor. Frank fecha o carro e vem para perto de mim.

Eu pego a bola de basebol que está na minha bolsa, nós resolvemos trazer alguma coisa para fazer Banzé se divertir, e vamos para os fundos da casa, onde temos um jardim maior e, até, um pequeno lago.

Arremesso a bola para Banzé ir pegar. Vidrado na bolinha verde, ele sai correndo em direção a ela e, como se já fosse treinado para isso, o cachorro agarra a bola com a boca e traz de volta pra mim e, apesar de a bolinha verde estar cheia de baba, pego-a e jogo para Frank que, com um ótimo reflexo, segura a bola e joga para Banzé que volta para nós com a bolinha.

Nós ficamos nessa brincadeira por mais alguns minutos, até que Banzé começa a ficar muito ofegante.

— Ele está morto de sede. – Frank comenta, pegando a bolinha e deixando-a no chão. Banzé não faz questão de pegá-la novamente porque está aceitando de bom grado um carinho que Frank está lhe fazendo debaixo da orelha.

— Sim – concordo,— vou buscar água. Me dê dois minutos.

Frank balança a cabeça assentindo e eu vou para a entrada dos fundos da casa de tia Holly.Pego a chave que pedi para ela deixar embaixo do vaso de flores ao lado da porta e entro na casa.

Usando um balde, encho completamente de água, e o levo para fora, onde Frank está deitado no gramado com o pequeno cachorro em seu colo.

Coloco o balde no chão e, de brincadeira, faço uma conchinha com as mãos pegando um pouco de água –vejo que Frank está com os olhos fechados e ainda não percebeu minha presença Abro um sorriso enorme e jogo um pouco da água que está na minha mão, nos dois.

Banzé late no mesmo instante e vai correndo para mim e Frank levanta e senta-se, assustado. Dou uma gargalhada da sua cara.

O filhote de cachorro, assim que olha o balde cheio de água, praticamente se joga dentro dele. Depois disso, fui me juntar a Frank e me sentei no chão mesmo, ao lado dele, que me colocou sentada em seu colo e eu ri com o gesto.

Nós ainda não tínhamos combinado nada sobre nosso relacionamento. Pelo que eu entendo, estamos apenas ficando, para ver onde isso vai dar. E, de repente, enquanto estou olhando o filhote de beagle brincar no quintal da minha tia, como se não houvesse amanhã, fico com medo.

Independentemente do meu relacionamento com Frank eu já estava totalmente apegada àquele cachorro. Se o nosso namoro não der certo, eu espero apenas que possamos ser amigos para que nenhum de nós precise se despedir do beagle permanentemente.

— Ai! – Frank solta um gritinho e eu viro a cabeça para trás para ver o que está acontecendo. Banzé morde a jaqueta de Frank e começa a puxar com força.

— Não... Solte a jaqueta, Banzé! – Frank pede, assim que eu saio de seu colo, para tentar fazer com que Banzé soltasse, mas nada de o cachorro largar.

— Tire a jaqueta – eu falo. Banzé está com a manga da jaqueta na boca e Frank faz uma cara de cachorro que acabou de cair de mudança.

— Não! – Frank resiste.

— Ele não vai soltar – Banzé realmente parece estar decidido a não soltar a jaqueta.

— Droga, Banzé! – Frank faz o que eu digo e quando se levanta Banzé simplesmente começa a correr com a jaqueta na boca, e é claro que eu teria rido daquela cena se ela não fosse trágica. Frank correndo atrás do cachorro, desesperado por sua jaqueta.

— Volta aqui! – Frank grita como se o cachorro fosse entender, até que ele, finalmente, consegue pegar a outra ponta da jaqueta e,ops...

Cabo de guerra.

Não sei dizer quem está perdendo, mas não posso evitar: pego meu celular e tiro uma foto. Eu não sou uma pessoa distante das redes sociais, tenho alguns seguidores, mas a maioria é devido à minha fama na rádio. Coloco as fotos com a legenda: Frank 0, Banzé 1.

E, assim que eu termino de postar a foto, escuto um estrondo e sinto gotas de água espirrarem em mim. Olho para frente e tenho a visão mais engraçada da minha vida. Banzé está com a cabeça baixa e faz um barulho engraçado, como se estivesse chorando ou até mesmo arrependido. A jaqueta não estava mais na mão do cachorro, mas sim na de Frank, que estava totalmente dentro do lago.

— Vai ficar rindo ou vai me ajudar?! – Frank pergunta e ele tenta sair do lago, mas pelo fato de estar escorregadio ao redor, fica basicamente impossível.

Aproximo-me e estendo a minha mão para Frank para ajudá-lo a sair da água, e só tenho tempo de jogar meu celular no gramado, porque no minuto seguinte em que Frank pega minha mão eu já estou dentro da água.

Filho da mãe.

Essa água está incrivelmente gelada.

— Quentinha a água, né!?– "Ironia" é o sobrenome do Frank, ou é Miller mesmo?

— Vá se ferrar, Frank!. – jogo um pouco de água nele e ele retribui até que entramos nessa guerra infantil. Ele segura minha cintura quando se aproxima e eu paro meus movimentos bruscos, na tentativa de fazer com que mais água fosse atirada nele.

Meus olhos se encontram com os seus e sinto meu coração falhar uma batida.

Ele me puxa mais para ele – se é que estar mais próximo fosse possível – e cola seus lábios nos meus. E, rapidamente nós começamos um beijo tão quente que eu quase esqueço que estamos na Inglaterra – país frio por natureza – e também que nós estamos dentro de um lago extremamente frio.

Minhas mãos vão para seu cabelo e sinto que posso ficar em seus braços fortes para sempre.

E, apesar de já ter me feito infeliz quando nós éramos mais novos, eu não posso deixar de admitir para mim mesma que independentemente da situação em que nos encontramos, se eu estou em seus braços, Frank consegue me fazer sentir uma segurança inexplicável, e que se fosse possível, gostaria de senti-la para sempre.

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