Capítulo Quatro - Hannah

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obs: [Não consegui postar ontem, por isso vou postar hoje e amanhã]

Não queria que nosso café corresse em silêncio, mas eu não sei o que falar. Relembro o passado ou me concentro no futuro, e finjo que esqueço tudo o que passamos juntos? Talvez, começar pelo fato de que ele me observou dormir a noite inteira não fosse uma má ideia, mas talvez fosse... E eu não queria deixar o clima mais estranho entre nós. Droga, porque é tão difícil!?

Se Frank acha que eu não o percebi me observando durante a noite, ele é mais inocente – ou burro e idiota – do que eu penso. Considerando o nosso passado – que, admitindo, não era dos melhores – o mínimo que Frank deveria fazer era se afastar, ficando bem longe de mim, o máximo possível, e me tratando apenas como mais uma de suas pacientes. Afinal, ele não havia feito nada mais do que sua obrigação em tirar aquela bala do meu corpo.

— E a polícia, Hannah? – ele pergunta de repente.Eu franzo a testa.

— Hã? – só por ele ter chamado meu nome,me dou conta de que estava divagando.

— Você foi atingida por uma bala perdida e a polícia não apareceu no hospital. Você vai precisar fazer um B.O..Balas perdidas não costumam acontecer por aqui– ele diz se explicando. — E uma loja foi assaltada logo depois que o seu turno terminou.Já foi divulgado até pelo noticiário local que uma jovem ficou ferida. Ou seja, você. Não é difícil encontrar o culpado.

Eu não queria mesmo continuar com essa história; eu só quero ir pra casa, me deitar debaixo das cobertas e escutar Adele ou Taylor Swift, o que é perfeito para quem está na fossa como eu. Ri baixinho. Frank não entendeu, mas não importa. — Não quero saber disso – respondo sincera. Solto um suspiro e ele engole em seco. Frank está nervoso. Sei disso, mas não faço nada para relaxá-lo. — E, por acaso, você está agindo como um amigo ou como um detetive agora?

Opa, um ponto para minha grosseria! Vejo Frank abaixar a cabeça, mas logo ele levanta e tenta protestar comigo.

— Mas...

— Eu não quero, Dr. Miller – respondo como se fosse uma criança de cinco anos fazendo manha. — Estou bem assim e não preciso mais desse assunto para me dar mais dor de cabeça. Entendeu?

— Não precisa me chamar de Dr. Miller. Não sou seu médico mais. E sim, eu entendi. Desculpe por isso.

— Está bem, Frank. – Infelizmente, minha voz sai um pouco rude, mas não tive controle sobre isso. Vejo-o morder os lábios. Seu nervosismo está começando a me atingir também. Deus, alguém fala para esse homem ficar mais calmo antes que eu tenha um ataque? E é só a porcaria de um café.

— Então, o que está fazendo da vida ultimamente? – ele pergunta tentando ser gentil. Meu café não está nem pela metade, ainda temos uns dez minutos nessa tortura, não quero responder-lhe. Porque mesmo aceitei vir aqui? Deveria ter pensado melhor. Ele já fez seu trabalho comigo. Quero mais é mandá-lo para os aposentos de satanás, e ir para minha casa, mas não o faço porque considero que ele acabou de salvar minha vida.

— Sou comentarista em uma rádio.

— Qual? – ele parece mesmo interessado.

— Kiss 3,4 – respondo e logo me bate uma curiosidade e quando vi já tinha perguntado, porque eu estou mesmo curiosa sobre isso. — E desde quando você queria ser médico?

— Desde quando você queria ser comentarista? – ele devolve em tom divertido, o que faz com que um leve sorriso escape dos meus lábios.

— Frank!– repreendo. Eu quero mesmo saber. Ele nunca tinha me dito nada sobre isso antigamente. Fiquei curiosa.

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