Capítulo Vinte - Hannah

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Nós saímos do restaurante e estou mais do que animada. Eu sempre quis ter um cachorro, mas como minha mãe é alérgica, isso nunca foi uma possibilidade pra mim. Tia Holly até tentou convencer minha mãe, mas não deu certo, e ela até tentaria comprar um para mim e deixar na casa dela, mas eu acabei desanimando.

E, pelo menos, dividindo as contas com Frank, um cachorro agora não me parecia má ideia.

E isso seria bom, porque era um sinal de que eu veria Frank por mais vezes.

Quando chegamos ao petshop, o local estava vazio. Eu e Frank passávamos ao lado dos cachorros que estavam presos devidamente e alguns latiam e se agitavam quando nós caminhávamos em frente a eles.

Mas, então, eu olho ao redor e vejo um deitado e de cabecinha baixa. Eu me abaixo e fico de joelhos, bato no vidro que me separa do filhote e consigo chamar a atenção do pequeno beagle, que levanta a cabeça e anda até mim. Faço carinho em sua cabeça em uma abertura acima do vidro.

Olho para o lado e vejo que Frank está com um sorriso idiota no rosto.

— Pode ser esse? – pergunto.

— Claro! – ele confirma.

Depois vamos ao caixa do pet e acertamos tudo. Descobrimos que o cachorro já tem um nome: Banzé.

Compramos ração e é lógico que tive que brigar um pouco com Frank para que ele me deixasse pagar pelo menos um pouco. Eu sei que ele é podre de rico, mas não precisa esfregar isso na minha cara se oferecendo para pagar tudo.

Apesar de o cachorro parecer extremamente triste e solitário no pet, quando ele entrou na BMW de Frank, no meu colo, no banco de passageiro da frente, ele fez a maior festa, latindo toda vez que Frank freava o carro.

Ainda estamos no caminho para o apartamento, dele e abri um pouco da janela. Banzé apoiou suas patas na porta e latiu alegre. O rabo do beagle, animado, balança e Frank e eu rimos.

— Nós o libertamos daquela prisão chamada petshop, por isso ele não para nenhum segundo.

— É,– concordo — esse carinha tem a energia de umas cinco crianças de dez anos.

Horas depois o beagle está deitado no sofá e a casa de Frank está revirada de cabeça para baixo. Eu me escoro na parede da sala enquanto observo Frank encarar o cachorro, que está ofegante e babando no seu sofá. Mordo os lábios observando a cena.

— Banzé! – Frank diz — você pode, por favor, sair do meu sofá?

Apesar de eu ter ajudado Frank a arrumar a bagunça, ele parece estar acabado do mesmo jeito. Sinto um riso querer sair da minha garganta. Frank tinha mesmo falado sério com o cachorro, como se o filhote de beagle, folgado em seu sofá, fosse compreender.

— Ele não vai te entender – eu falo e se torna impossível segurar o riso ao ver o cachorro esconder a cabeça numa das almofadas marrons, colocando a língua para fora.

— Pode rir – Frank resmunga — mas ele está babando no meu sofá. Vou ensinar a ele boas maneiras de destruir sua casa quando ele for ficar com você.

— Sinto muito pela bagunça – falo sincera e ele dá de ombros.

— Eu acho que posso contratar alguém pra limpar essa zona amanhã. – ele diz e anda em direção ao sofá. O cachorro levanta o olhar pra ele e, apesar de toda a bagunça, Frank abre um sorriso acolhedor para o filhote.

— Eu preciso ir pra casa e tomar um banho –falo, fazendo uma careta. — Estou fedendo à baba de cachorro.

— Se quiser pode usar meu banheiro – Frank oferece e eu fico receosa de aceitar a proposta, mas perdi a conta de quantas vezes levei lambidas de cachorro desde que adquirimos Banzé.

Talvez não seja uma boa ideia usar o banheiro de Frank porque, afinal, minhas roupas estão em casa, mas a ideia parece tentadora. Acabo aceitando. Frank sorri pra mim e se levanta. Fico uns instantes na sala com Banzé no meu colo e, depois de alguns minutos mimando o filhote, entro no quarto de Frank, depois de ele ter me entregado uma toalha e me dado as instruções do banheiro.

Tomo um banho relaxante e demoro mais do que gostaria, mas não tenho culpa se aquele banheiro é cinco vezes melhor do que o que tenho em casa, e mais aconchegante. Saio do banho e visto as mesmas roupas que tirei e, apesar disso, me sinto milhares de vezes mais limpa.

Já trocada, vou para a sala e Frank está deitado no sofá com Banzé em seu colo e a ideia de me juntar a eles parece muito tentadora.

E é exatamente isso o que eu faço. E se eu for magoada da mesma maneira que fui antes? Que se dane. O momento me parece muito bom para ser simplesmente desperdiçado comesse tipo de dúvida. Nossa posição no sofá me lembra do dia em que demos nosso selinho no jantar da casa dos meus pais.

A TV está ligada e não posso deixar de sorrir ao ver qual é a série que está passando. Uma vez médico, sempre médico, mesmo estando fora de um hospital.

Depois de alguns minutos apenas encostada em seu sofá extremamente confortável, Frank finge que não percebe e que eu não percebi também que ele coloca as mãos em meus ombros. Eu viro a cabeça para seu lado, e sorrio, passando-lhe confiança. Estou dando uma chance a ele e só espero que Frank não a estrague.

Depois da conversa com tia Holly, saí decidida de que iria tentar levar adiante o que eu tinha com Frank... Se for pra acontecer, será. Sei que essa frase é clichê, mas é perfeita para a situação.

Ele se aproxima de meu rosto que está virado para o seu. Esqueço completamente o que está passando na TV, apesar de eu estar gostando de ver a série. Escuto meu coração bater rápido e tenho quase certeza de que se Frank se aproximar um pouco mais ele é capaz de ouvi-lo.

Estou ofegante e penso em quão ridícula é minha reação quando ele se aproxima. Nossos lábios nem se encostaram, mas isso não demora a acontecer. Sua mão, que estava fazendo carinho no cachorro enroscado em sua perna, passa para a minha cabeça e faz carinho em meus cabelos loiros. Arrepio-me completamente e fecho os olhos enquanto aproveito a sensação de conforto que aquele gesto me passa.

E finalmente acontece.

Frank cola seus lábios nos meus e dessa vez consigo esquecer do mundo ao meu redor. E o que eu pensei que seria apenas um selinho se transforma em um beijo quente. Ele está quase em cima de mim e não faz muito esforço para que eu me deite. Nós nos afastamos cinco segundos para respirar e o que era para ser apenas um beijo acabou se tornando vários, e se eu não fosse ajuizada o suficiente, e se Banzé não tivesse latido e estragado o clima, nós, com certeza, teríamos passado dos limites naquela tarde.


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