Capítulo Onze - Frank

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Tento não parecer chateado por ela ter retirado sua mão da minha e sim compreensivo. Beth já nos espera lá e está conversando com um estagiário que assim que me reconhece, abre um sorriso. Não estou no clima para corresponder ao cumprimento, por isso apenas pergunto:

— Novidades?

— Ela já está estável. Deu um pouco de trabalho para Caleb, mas você sabe que ele é um dos melhores e fez bem em chamá-lo.

Suspiro aliviado e vejo Hannah fazer o mesmo.

— Quando posso vê-la? – Hannah pergunta.

— Só precisamos esperar Caleb chegar aqui para liberar as visitas. Ele está terminando de fazer um check-up e passando algumas recomendações para ela e o marido.

— Meu pai. Pode avisar a ele que estou aqui? – Hannah pede.

— Ele já sabe. Parece que Caleb os avisou– o estagiário responde.

Hannah engoliu em seco e eu controlei a vontade, que crescia dentro de mim a cada minuto, de abraçá-la. Mas para me ajudar a fazer isso, Beth puxou Hannah para uma conversa, a fim de distraí-la.

Não demora muito tempo para que meu amigo apareça no corredor com uma aparência relaxada e com um sorriso no canto dos lábios.

— Eles querem ver Hannah – ele diz, e em seguida olha para o estagiário que ainda está entre nós. — Você pode levá-la até lá?

— Claro!– o garoto responde, logo sumindo da nossa vista com Hannah. Beth avisa que vai beber alguma coisa e sai para a cafeteria, me deixando a sós com Caleb.

— Como foi?

— Dá para me explicar? – questiona Caleb, ignorando a minha pergunta. — Mãe de Hannah Collins? Acha que eu não lembro?!

♥♥♥

— Eu não quero fazer mais essa aposta, Calebsentia as lágrimas quentes querendo escorrer dos meus olhos. A culpa estava sendo insuportável.

— Tudo bem ele respondeu, colocando a mão confortavelmente em meu ombro. Estávamos na quadra; tínhamos acabado de ter educação física e todos já tinham saído do local, menos nós. — Nem sei por que te pedi isso. Está ok.

— Não está ok! Droga! eu explodi; as lágrimas desciam pelo meu rosto sem nenhuma vergonha, e Caleb se preocupou. Ele tentou me puxar para um abraço, mas eu o afastei com força. Estava nervoso e irritado comigo e com ele.

— O que aconteceu?! Dá pra me explicar?

— Eu me apaixonei por ela... Eu cai de amores por aquela garota!E essa aposta, se ela descobrir, Caleb...

A cara de meu melhor amigo empalideceu. E logo eu soube que havia alguma coisa errada. — Que houve?! – perguntei já irritado.

— Nós não estabelecemos regras. Era só se você a beijasse você ganhava e se não, eu ganhava. Então, pedi para Zac contar pra ela sobre a aposta para que eu pudesse ganhar e...

Não escutei mais. No minuto seguinte meu melhor amigo estava com um olho roxo. Eu estava depositando chutes nele, que estava caído no chão.

Se Hannah já soubesse...

Ela nunca iria me perdoar e nem eu. Nunca!

♥♥♥

— É claro que eu lembro! – Caleb reforça, me tirando dos devaneios — Você a beijou depois daquela briga, não beijou? Como se reencontraram?

♥♥♥

Depois de ter dado um soco no meu melhor amigo, deixei a quadra e ignorei todas as aulas que eu ainda teria que frequentar naquele dia. Nada mais importava para mim a não ser Hannah. Nós ficamos muito amigos desde que fui obrigado a me aproximar dela por causa da aposta.

Sendo assim, quando dei um selinho em sua bochecha pela primeira vez, como se eu estivesse apenas me preparando para o próximo passo a ser cumprido da aposta, percebi que eu estava apaixonado por ela. E no mesmo momento em que percebi isso, fui falar com Caleb, mas ele já tinha pedido a Zac para contar para Hannah.

O que resultou em mim correndo pelo colégio que nem um retardado procurando por Hannah, e só a encontrei no estacionamento do colégio que estava vazio. Ela estava entrando em seu carro. Havia lágrimas escorrendo pelo rosto e levou um susto enorme quando eu a segurei pelos braços, forçando-a se virar pra mim.

— Eu odeio você! – aquelas palavras foram as que mais doeram em toda a minha vida. Era tudo uma aposta?! – me surpreendi. Hannah não era de falar palavrão. Sem perceber, apertei mais seus pulsos. – Você está me machucando, Frank.

Soltei-a no instante seguinte, mas ela não se afastou e percebeu que eu chorava.

— Por favor, me desculpa – pedi, segurando um soluço Eu me odeio por ter feito aquilo. Hannah... desculpe-me, por favor. Eu estava cancelando a aposta com Caleb agora, mas ele mandou Zac ir falar com você antes.

— Não, Frank. Deixe-me ir embora, por favor.

— Você não está em condições de dirigir – não iria deixá-la ir ao estado em que estava. As lágrimas ainda escorriam por sua bochecha pálida e tudo o que eu queria era abraçá-la e pedir o máximo de desculpas de que eu fosse capaz.

Mas não foi isso que aconteceu. Ela ameaçou ir embora de novo, mas eu a puxei pelo braço novamente, dessa vez sem fazer força. Ela poderia muito bem ir embora se quisesse, mas não o fez.

No minuto seguinte colei nossos lábios. Ela chorava e eu chorava também. Me sentindo um idiota por tê-la usado para uma aposta durante todo aquele tempo. Surpreendi-me quando ela retribuiu o beijo, mas foi tão rápido, que só consegui escutar o barulho de seu tabefe em meu rosto logo depois que eu me afastei de um carro ligando.

Ela tinha ido embora.

Para sempre.

E eu nunca saberia o motivo dela ter, mesmo com raiva, retribuído ao meu beijo naquele dia.

♥♥♥

— É. – falo com a voz embriagada. Certas lembranças machucam mais do que qualquer coisa que você possa imaginar. — Ela foi atingida por um tiro depois que saiu do trabalho – conto a Caleb que balança a cabeça em compreensão. Depois a chamei para um café. Ela não tocou no assunto sobre o nosso passado, entende?

— Não. – Caleb ri baixinho — Se fosse eu no lugar dela, iria te dar uns belos tapas, mas, considerando que você a salvou... Simplesmente iria sumir outra vez.

— Mas, ela não fez nem um nem outro. — continuo — Aceitou um convite para um café que lhe ofereci e depois a levei para casa. Descobri que ela está trabalhando como comentarista em uma rádio, e essa rádio fez um festival hoje na cidade, ao qual eu fui porque queria vê-la novamente. Estávamos em um passeio no rio Tâmisa quando soubemos da mãe dela e eu liguei para você.

— Nossa! — Caleb morde os lábios. — É muita coisa para assimilar! – Antes que eu possa concordar com ele, o estagiário chegou com um sorriso. Imagino que ele queira chamar Caleb para responder dúvidas da mãe dela, mas não.

— Dr. Miller, parece que a paciente e a família dela querem ver você.

Respiro fundo. Realmente é muita coisa para assimilar.


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