Capítulo Treze - Frank

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Eu pareço uma menina se arrumando para ir ao seu primeiro encontro. É a terceira troca de roupa e já desisti de tentar achar respostas por ter sido convidado pela mãe de Hannah, Verônica, para um almoço que acabamos combinando em transformar em jantar. Comecei a pensar nisso desde o dia em que ela me convidou, na semana passada.

Lembro como se fosse ontem, a primeira vez que a vi. Mas, depois do que fiz à sua filha, nunca fui capaz de imaginar que ela gostaria de me ver de novo, se não fosse para me julgar.

Respiro fundo, está sendo mais difícil procurar uma roupa que me agrade para ir hoje à noite por causa das memórias que ainda estão frescas na minha mente.

♥ ♥ ♥

Eu já tinha estudado até que bastante com Hannah na biblioteca na semana seguinte em que pedi ajuda e só assim reparei que eu precisava mesmo de ajuda na matéria.

Apesar de eu não ser tão ruim, Hannah conseguiu me deixar melhor em poucos dias, o que me rendeu uma nota boa nas provas finais do trimestre... Maravilhosas, na verdade.

Mas, mesmo que as notas já tivessem saído, nós dois ficamos mais próximos do que deveríamos e, por um momento, me peguei pensando no que eu estava fazendo.

Era uma aposta. Eu tinha que terminar a aposta e me afastar, mas, por algum motivo, a ideia do afastamento entre nós dois me deixava aterrorizado.

Na tarde de sexta-feira eu marquei outra aula particular de química com Hannah. Apesar de eu ainda estar me aperfeiçoando, eu gostava das matérias, então a aula era sempre rápida e eficiente.

Mas, para a nossa irritação, naquela sexta-feira, a biblioteca havia sido interditada. Por isso, Hannah me chamou para ir à casa dela. E eu congelei com a sugestão, é claro. Como eu encararia a mãe dela?

Eu estava nervoso ao conhecer a mãe da garota alvo de uma aposta. Esperava eu, naquela época, que o sentimento fosse normal, afinal... Talvez fosse a culpa.

De qualquer forma, foi estranho quando cheguei à sua casa e sua mãe acabou me chamando para almoçar. Foi a primeira vez que vi Tia Holly.

Lembro-me de quando Hannah me deixou sozinho, por dois minutos, porque sua mãe queria uma última ajuda na cozinha.Eu teria me oferecido para ir no lugar de Hannah e mostrar um pouco de educação, mas ela recusou, me deixando para trás e indo até a mãe.

Eu estava nervoso e sentado no sofá da sala, esperando sua mãe anunciar o almoço e seu pai chegar do trabalho para irmos à mesa. Passei otempo observando o espaço e, por sinal, havia uma boa quantidade de porta-retratos. Vi uma foto – extremamente fofa, diga-se de passagem– de Hannah.

Na época, ela deveria ter uns 5 anos.As covinhas e os cabelos loiros... Não sei por quanto tempo fiquei observando aquela foto que me chamou muito a atenção, só que fui tirado de meus devaneios por um pigarro.

Imaginei que seria a mãe de Hannah, mas estava enganado.Era outra mulher, que eu não sabia que iria estar presente, mas que depois descobri que era sua tia.

Apesar disso, ela lembrava muito Hannah e eu até poderia considerá-las irmãs. A diferença era que o cabelo dela era um pouco mais liso e incrivelmente longo, um pouco abaixo da cintura.

— Sou Holly, tia de Hannah – ela se apresentou.

— Sou Frank...

— Eu sei quem você é. Engoli em seco. — Nunca vi Hannah com um amigo e por isso investiguei mais sobre você. Não perguntei como, onde ou quando. Ela parecia tão brava comigo que eu não gostaria de levar outra patada. — Ela pediu para que eu não falasse para você, mas eu não ligo. Você, garoto, ouse magoar Hannah que você vai desejar nunca ter nascido.

Por algum motivo, soube que ela não estava brincando e que eu deveria levar aquela ameaça a sério. Graças a Deus, Hannah voltou alguns minutos depois anunciando que o almoço estava servido.

— Vejo que já conheceu Tia Holly. – Hannah falou animada. Sorri para sua animação quase infantil e vi Holly me encarar feio. Tentei ignorar seu olhar e fui me sentar à mesa, onde a mãe de Hannah já estava.

— Sim, nós nos conhecemos enquanto você estava ajudando sua mãe. respondeu.

— Espero que tenha gostado dele, Holly – Hannah disse como se já soubesse que Holly não iria gostar de mim.

O pai de Hannah, Alexander, chegou alguns minutos depois de todo mundo estar sentado. Eu estava ao lado de Hannah e de frente para Holly. Verônica estava sentada na ponta, do lado direito, enquanto o pai de Hannah sentou-se na outra ponta, do lado esquerdo, deixando a cadeira ao lado de Holly vazia.

O almoço transcorreu perfeitamente bem, apesar dos olhares que Holly direcionava a mim e eu sabia que ninguém os havia percebido, muito menos Hannah, porque ela estava ocupada demais tentando me entreter em uma conversa com ela e seu pai, que eu estava mesmo apreciando.

E naquela conversa foi quando descobri que Hannah gostaria de fazer música.

— E você Frank, já sabe o que vai fazer quando sair do colégio? ele perguntou para mim.

— Eu gostaria de fazer medicina, mas não sei se sou bom o suficiente para...

Alexander me mandou um sorriso encorajador.

— Você pode ser um grande médico se quiser, garoto.

♥ ♥ ♥

Saio do quarto, apago todas as luzes da casa, pego meu celular em cima da mesa de centro da sala e vou em direção ao estacionamento do prédio. Faço um caminho suficientemente rápido para chegar na hora marcada.

Hannah não mora mais com os pais, sendo assim eu tenho que ir a um lugar desconhecido. Anotei o endereço no meu GPS e com a ajuda do aparelho eletrônico demorei mais para tomar coragem e sair do carro do que para chegar. Preferi enrolar dentro do carro do que ficar parado em frente à porta da casa. Toquei a campainha; não foi preciso esperar muito mais do que alguns segundos.

A porta é aberta e encaro surpreso a pessoa que me atendeu, mas, no segundo seguinte, engulo em seco, percebendo o nervosismo se apoderar de mim.


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