Capítulo Três - Frank

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Como aquela noite estava me parecendo uma das poucas noites de calmaria no hospital, onde ninguém aparecia para uma cirurgia de emergência, resolvi observar Hannah. Disse a mim mesmo que era só para cuidados médicos, mas no fundo soube que era por outro motivo. Nunca penso muito antes de fazer as coisas, sempre deixo me levar pelos sentimentos e talvez tenha sido por isso que observei Hannah dormir a noite passada toda.

Saí do quarto antes que ela acordasse. O relógio batia sete horas quando isso aconteceu. Deixei o sol nascer para sair do quarto. Fui tomar um café e acabei me encontrando com Elena. É incrível que nós sempre acabamos nos encontrando, mesmo trabalhando em áreas diferentes do hospital.

— E aí, todo mundo já está fofocando sobre você ter ficado a noite toda observando a paciente dormir. Alguma coisa que preciso saber? – Elena pergunta quando estamos já sentados à mesa com nossos copos de café.

— Nada que seja do seu interesse e de ninguém – respondo meio grosso. Se eu soubesse que todo mundo ia ficar falando, eu não teria ido lá. Mentira, quem eu estava querendo enganar? Mesmo que eu soubesse que o pessoal falaria, eu iria até o seu quarto. Por quê? Porque eu devo ser um idiota. — Só estava checando a estabilidade dela – comento, querendo trazer o assunto para a nossa profissão — A cirurgia foi complicada. Ela levou um tiro perto do coração. Hannah poderia ter tido dificuldades durante a noite. Só estava fazendo meu trabalho.

— Tudo bem – Elena diz,fingindo estar ofendida — Não está mais aqui quem falou.

Depois da nossa conversa, saí da mesa sem terminar meu café. Queria encontrar-me com Hannah novamente. Volto para seu quarto e elajá está acordada, mas não me olha nos olhos e vejo que está nervosa. Talvez ela saiba que eu passei a noite observando-a.

Sinto-me um idiota de primeira. É claro que ela sabe quem sou eu e é claro que ela sabe que eu sei quem é ela. Por isso está agindo desta forma; respiro fundo, tentando controlar a estranha sensação que se formou em mim. Era como se tivesse um caroço preso na minha garganta, e eu sei que isso é um choro que quer sair, mas faço de tudo para não deixar nenhuma lágrima rolar e, novamente, distrair-me com minha profissão.

— A equipe médica não achou o seu celular no meio das suas coisas e foi impossível recuperar suas roupas depois da cirurgia – falo, tentando ignorar a onda de sentimentos que sempre tenho quando Hannah está por perto.Acho que o fato de ficar tanto tempo longe, fez com que todas as emoções voltassem com mais força agora que a estou vendo novamente.— E não conseguimos entrar em contato com seus parentes, por isso, como está acordada, decidimos que você tome uma decisão sobre isso.Você pode usar o telefone do hospital da recepção e eu tomei a liberdade de pedir para uma enfermeira trazer uma troca de roupa pra você.

Hannah levanta-se da cama e pega a roupa que está esticada em uma cadeira próxima. Ela entra no banheiro do quarto e eu continuo esperando. Estou segurando a autorização de sua alta.

Gostaria de poder chamá-la para poder tomar um café, mas sei muito bem que isso é invasão de privacidade e, infelizmente, eu sou apenas um médico e já fiz meu trabalho com ela. E, além disso, o meu corpo já está com mais cafeína ingerida do que eu de fato poderia.

Eu escuto um barulho de porta se abrindo e me viro, encontrando Hannah vestida com uma calça jeans, um moletom vermelho e tênis.

Seus cabelos loiros estão devidamente arrumados caindo em suas costas em ondas. Sinto vontade de passar minha mão por entre eles, fazendo-lhe um carinho, mas engulo em seco e me controlo, apesar de todo o meu corpo estar gritando de vontade para que eu ande alguns passos à frente e a envolva num abraço.Ai, eu preciso me controlar!

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