Capítulo Dezenove - Frank

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Eu consegui falar com a Hannah através do telefone da rádio porque eu havia sido estúpido, o suficiente, para não ter anotado seu número quando tive a chance. Mas, apesar disso, ela acabou aceitando ir a um almoço comigo e eu não poderia ter ficado mais feliz por ter resolvido tirar as benditas férias.

Não posso negar que achei estranho Hannah ter aceitado. Depois daquele selinho, eu jurei que ela iria preferir uma cirurgia a me ver novamente.E, deve ter sido isso, porque acabei ficando feliz até demais com o fato de ela ter me dito sim para o jantar que irá acontecer hoje à noite.

Descobri que Oscar Carter acabou até estranhando o fato de eu não ter mesmo aparecido nos últimos dias. Eu recebi até uma ligação dele na noite anterior, me perguntando se eu gostaria de colocar minhas mãos em um bisturi.

Estou - como há muito tempo eu não fazia - deitado no enorme sofá da minha sala, com a televisão ligada, com um pote de sorvete na minha mão, comendo só com a colher e assistindo à Grey's Anatomy. E quem liga que estamos em pleno inverno em Londres e são dez horas da manhã? Eu quero tomar sorvete e pronto! Estou livre pra fazer o que eu quiser.

Eu e Hannah marcamos o almoço ao meio dia e meia no restaurante italiano que havia perto de sua casa. Ela insistiu para que fosse um mais perto da minha, mas fui teimoso e disse que aquele estava bom e que não tinha problemas em eu dirigir o carro alguns minutos a mais, e Hannah acabou concordando comigo.

Olho para a TV. está no intervalo e um comercial com cachorros aparece, algo como propaganda para comidas de cães, até que aparece um labrador grande e peludo, com pelo claro. Mordo os lábios. Sinto vontade de ter um, logo depois do final da propaganda.

Estou de férias, e um cachorro não seria nada mal. O problema seria depois que eu voltasse para o hospital...Mas, bem... Eu acho que posso acabar conciliando meus horários. A ideia me parece tentadora.

Apesar de ficar com a ideia do cachorro na cabeça, continuo assistindo a minha série favorita por mais um episódio até eu olhar no relógio e ver que se não me apressasse, chegaria atrasado.

Desligo a televisão, me levanto do sofá e vou até a cozinha, onde jogo fora a vasilha do sorvete porque já tinha comido tudo.

Vou para o meu quarto, separo uma roupa que se resumia em calças jeans, uma camiseta e um casaco de moletom de zíper frontal. Eu não preciso ser muito formal hoje; é só um almoço. Respiro fundo. Espero que eu esteja certo sobre essa decisão de roupa. Vou tomar meu banho, no qual não demoro muito para não me atrasar.

Já no carro, olho pelo espelho do retrovisor e checo meu rosto. Estou ótimo e pronto para me encontrar com Hannah. Sinto meu coração acelerar com a lembrança de seu sorriso.

Não demoro muito para chegar. A reserva do restaurante está no meu nome e resolvo esperar por Hannah antes de entrar no local. Não está chovendo, o que facilita eu esperar na área externa do local.

Ela chega a pé, da direção do metrô. Quando combinamos o almoço, eu até me ofereci para buscá-la, mas Hannah recusou e resolvi não insistir com isso.

Hannah está incrível. Há um sorriso singelo em seus lábios e não posso deixar de ignorar a sensação que ele faz em meu coração assim que o vejo. Ela está vestida tão simplesmente quanto eu e agradeci mentalmente a mim mesmo por ter acertado na escolha da roupa.

- Ei, tudo bem? - falo quando estamos próximos o suficiente para escutarmos um ou outro.

- Estou ótima e você?

- Estou com fome.

O quê?! Eu sou sincero.

Ela solta uma risada que, sendo honesto comigo mesmo, eu poderia ficar horas e horas escutando..

- Então, vamos entrar? - ela pergunta.

- Claro! - então, lado a lado, entramos no restaurante e o garçom nos leva até a mesa que eu havia reservado.

Hannah e eu fazemos os nossos pedidos que não demoram a chegar. Acredito que vamos ficar sem assunto, mas isso muda totalmente de rumo quando ela é a primeira a puxar a conversa.

- Eu queria comprar um cachorro - falo, depois de cairmos em um silêncio confortável.

- E porque não compra? - ela questiona.

- Porque não sei se terei tempo por causa do hospital. Estou de férias agora, mas meu horário sempre foi maluco. Não quero deixar um filhote em casa e não ter tempo pra ele depois.

Um sorriso se alarga no rosto de Hannah, me deixando confuso por alguns minutos, até ela se explicar.

- Eu sempre quis ter um cachorro! - comenta - Posso cuidar dele quando você não tiver tempo.

A ideia não me parece tão ruim e Hannah parece mesmo animada com a sugestão. O sorriso dela aquece meu coração e seus olhos parecem brilhar de um modo que fica impossível dizer "não" a ela.

- Certo. - concordo sorrindo também, afinal, é impossível não fazê-lo. - O que acha de pagarmos a conta e irmos até o petshop?

O sorriso dela parece ficar ainda maior quando ela viu que eu estou mesmo falando sério.

- Eu tenho uma tia que mora em uma casa afastada do centro - ela diz de repente. - Seria bom comprarmos o filhote e levá-lo para passar um tempo lá para poder brincar. Não hoje, porque preciso falar com minha tia antes de trazer um cachorro pra lá.

- Tia Holly? - pergunto com uma sobrancelha arqueada porque, pelo que me lembro, ela só tem esta tia.

- Sim... - ela confirma e acrescenta rapidamente enquanto seu rosto parece ficar um pouco desanimado: - mas podemos fazer diferente.

- Uma casa longe do centro urbano me parece ótimo. - o sorriso logo volta a brilhar e admito que só concordo com isso para vê-la sorrindo novamente, porque, apesar de tia Holly ter me mandado ficar sozinho com Hannah, ainda me sinto receoso ao levar um cachorro para a casa dela.

- Ok - seu sorriso consegue ser como o de uma criança. - Podemos pagar a conta e ir?!

Ela não me deixou pagar toda a conta e acabamos por dividir. E assim como a conta, sei que ela não me deixará pagar pelo nosso cachorro sozinho.

Meu coração se aquece de uma forma inexplicável ao perceber a situação. Eu e Hannah teremos um cachorro para chamar de "nosso" e sinto que serei eternamente grato a este animalzinho porque, querendo ou não, ele vai fazer com que eu e Hannah nos aproximemos mais do que já estamos fazendo com esse almoço. Esse pensamento me deixa com um sorriso retardado até o caminho do petshop mais próximo.


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