Capítulo Quatorze - Hannah

1.8K 165 3

Estou no meu antigo quarto terminando de ajeitar meu cabelo para o jantar com Frank. Enquanto me olho no espelho, terminando de arrumar os últimos detalhes em meu cabelo, tia Holly está sentada na cama, apenas esperando por mim, e apesar de ela estar perto dos quarenta anos, ela aparenta ter menos que trinta e cinco.

— Posso abrir a porta para o Frank? Holly pergunta e eu reviro meus olhos. Estou tentando convencê-la a não ser tão má com ele, mas parece que quando uma coisa fica na cabeça dela, ninguém tira.

E, pelo visto, Frank irá sofrer hoje à noite. Apesar de tudo — e senti um pouco de dó dele — ele merece um pouco de Holly, hoje.

— Por que está me perguntando se eu sei que vai fazer? — Pergunto.

— Educação – ela responde dando de ombros e eu não consigo deixar de soltar uma leve risada. Meu riso é interrompido pelo som da campainha.

Holly me olha com uma cara de cachorro que caiu da mudança e eu acho engraçado o fato de ela ser minha tia - nós duas nos parecíamos mais como melhores amigas. Mas nada que chegasse ao meu nível com Beth.

Holly levanta-se da cama e eu logo vou atrás dela quando sai do quarto. Não iria perder a cara de pavor de Frank quando visse tia Holly. Não demoramos para chegar à frente da porta. Fiquei um pouco atrás de Holly, esperando que ela abrisse, o que não demorou.

— Dr. Miller, não é? — formalidades, sério, Holly? Mordi o lábio.

— Sim... — Não consigo vê-lo, mas consigo escutar sua voz que ele tentou manter firme, mas acabou falhando miseravelmente.

Para não começar a ficar tenso o jantar sem que nem mesmo tivéssemos nos sentado à mesa, ultrapassei a frente de Holly com um sorriso amigável no rosto. Frank olha pra mim e eu juro que vejo seus olhos brilhando. Ele não está nada mal! Está vestido com calça branca, camiseta social e sapatos sociais. Poderia estar mais formal, mas ele escolheu entre o meio termo.

Eu também estou assim. Optei por uma calça jeans, camiseta, mas estou usando uma leve maquiagem e salto alto.

— Ei, Frank. — Cumprimento-o com um sorriso e ele se acalma imediatamente ao me ver. É engraçado o efeito que causo nele.

— Olá, Hannah! – Ele responde com um sorriso sincero.

Em seguida, nós três vamos para a sala, mas o clima não ficou muito estranho porque meu pai e minha mãe vieram juntar-se a nós depois de terem arrumado a mesa para o jantar. Estávamos apenas esperando a comida chegar... teríamos pizza.

Meu pai engata uma conversa com Frank sobre o hospital e quando minha mãe percebe os olhares ameaçadores de Holly para cima de Frank, ela puxa conversa com a irmã.

E eu? Fico sobrando. Apenas finjo que estou participando da conversa de minha mãe e Holly, e ainda bem que logo após alguns minutos a campainha toca, anunciando a chegada do entregador de pizzas.

Peço licença., Já que estou sobrando, nada mal ir atender a porta. Meu pai me estende o dinheiro depois que o retira de seu bolso.

— Para pagar as pizzas, e pode ficar com o troco. – Troco pra 100 libras!Acabo de ganhar o dia!

— Obrigada, pai – dou-lhe um beijo na bochecha antes de me retirar da sala. Eu pago e pego as pizzas e nisso, todos já foram para a mesa.

O jantar não foi tão ruim como eu achava que seria, afinal, tia Holly pode ser um mar calmo ou agitado quando bem entender. Todos já terminaram de comer, e meu pai está apenas encerrando uma conversa com Frank. Quando acho que ele vai se convidar para retirar-se da minha casa, a voz de Holly interrompe.

— Hannah, porque você não vai mostrar o jardim dos fundos para Frank? – ela pergunta.

Minha tia é bipolar, por acaso, e eu não sabia? Uma hora ela diz que é para eu me afastar de Frank e na outra ela me manda para o jardim com ele!? Só Jesus na causa de Holly!

Então, com um sorriso, minha mãe diz:

— Acho uma ótima ideia!

Sei que, apesar de mamãe ter ficado confusa no início por Holly ter sugerido isso, pois ela sabe do ódio – se que é se pode chamar assim – que a irmã tem por Frank, mesmo assim apoiou a ideia.

— Leve-o até lá, Hannah! – Até meu pai?! Ele pega no braço de Frank, forçando-o a levantar. Eu me levanto ao mesmo tempo. Apesar de não ter gostado da ideia, eu não vou agir como uma criança de cinco anos, fazendo birra com isso.

Frank me acompanha até o jardim nos fundos e o frio cortante bate em minha pele assim que eu abro a porta de vidro. Estou na frente de Frank, sendo assim, ele sai logo depois. Há um banco no jardim onde há também, um balanço, o qual eu usava quando era pequena. Ao lado dele uma árvore e, na frente dela, o muro para a casa do vizinho.

— Pronto, – falo, um pouco rude — já viu o jardim. Podemos voltar?

Ele solta uma risadinha nasal que me deixa irritada. Porque ele precisa complicar as coisas? Nós dois estávamos a uma distância razoável até ele resolver se aproximar.

— Porque nós não nos sentamos no banco como fizemos no hospital? – Porque ele tinha que perguntar isso tão perto de mim? Droga, afaste-se, Frank!

Porque no hospital eu quase jurei que nós iríamos nos beijar, eu pensei, mas não respondi isso, felizmente.

O lado bom é que sei que Frank não teria coragem de me beijar com Holly na mesma casa. Engulo em seco ao me lembrar de que é por causa dela que estou sozinha com ele aqui. Porque ela fez isso, afinal, não era ela que aparentemente odiava Frank? Esse seria o tema da nossa próxima conversa.

Como não tenho desculpas para responder, me sento no banco o mais afastada dele, porque sei que me aproximar significa perigo. Mas ele insistiu. Aquele filho da mãe passa o braço pelos meus ombros e eu não posso negar um carinho do qual estou gostando.

— Melhor agora? – ele pergunta e eu me viro para responder. Erro meu. Nossas cabeças estão assustadoramente próximas e Frank faz a mesma coisa que ele fez anos atrás.

Frank me beija. Não sei por quanto tempo aquilo durou. O tempo pareceu sumir. E pude me recordar o quão bom era beijá-lo. Tudo bem que isso aconteceu apenas uma vez, e agora duas... Mas, mesmo assim....

O beijo foi apenas um selinho. E com medo de que as coisas fossem mais além disso, me afastei, a tempo de ouvir tia Holly, de dentro de casa, gritar ameaçando Frank:

— Magoe minha sobrinha, Frank, de novo, e você vai ver que eu mantenho minhas promessas.

Não quero saber se ela está falando sério ou não, ou até mesmo, apenas dando uma de tia bipolar;, apenas empurro Frank para trás e me levanto do banco enquanto ele me olha com a sombrancelha arqueada, provavelmente pensando se havia feito algo de errado

Respiro fundo e o encaro nos olhos. Ele me olha de volta. Sinto os meus pelos da nuca se arrepiarem e então, com medo da minha voz sair falha, eu digo:

— Vamos voltar lá para dentro.

Ele concorda, e me segue. Está na hora de Frank ir embora, o jantar acaba agora.


Para Sempre ElaLeia esta história GRATUITAMENTE!