Capítulo Doze - Hannah

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Encarava o travesseiro à minha frente depois de já ter chorado por mais ou menos uma hora. Eu não contei por quanto tempo, mas foi essa a quantidade de minutos que pareceu.

Eu já tinha chorado tudo o que era pra chorar; meus olhos estavam inchados e vermelhos e minha cabeça doía, e as batidas na porta do meu quarto, já há alguns segundos, não ajudavam em nada para fazer a dor passar.Mesmo assim, não fiz esforço nenhum para atender a porta.

Qual era a dificuldade de entender que eu queria ficar sozinha?! Qual é o problema das pessoas?

A primeira vez que eu consigo fazer um amigo, descubro que é tudo por causa de uma maldita aposta. E porque eu deixei que ele me beijasse? Não sei também. Talvez seja porque eu queria aquilo.

De qualquer forma, a pessoa cansou de bater na porta e pegou a chave reserva que minha mãe havia escondido para caso de emergências.

Bufei. Precisava me lembrar de esconder aquela chave extra.

— Filha, era minha mãe. Enterrei novamente a cabeça embaixo do travesseiro, esperando que ela entendesse o recado e me deixasse sozinha. você não combinou de voltar com o Frank para almoçar hoje aqui?

Maldito seja o dia em que eu combinei isso.

— O que aconteceu!? ela perguntou novamente Mordi o travesseiro para sufocar um grito.

— Vou falar uma vez só, – falei com a voz rouca, depois de ter levantado a cabeça. Mamãe pareceu se assustar, pois viu o quão acabada eu estava mas depois a senhora pode me deixar sozinha?

Ela assentiu.

— Frank fez uma aposta. Era por isso que ele se aproximou de mim. Ele só queria me beijar.

— Oh...

— Agora eu posso ficar sozinha? não dei tempo para minha mãe falar mais nada. Ela fez que sim e saiu do quarto, encostando a porta e me deixando sozinha, do jeito que eu queria. Coloquei os fones de ouvido e me perdi no mundo da música. Quem sabe, aquilo conseguiria me acalmar.

♥ ♥ ♥

— Mãe, porque você quer o Frank aqui?! – pergunto com o cenho franzido, depois de ter juntado as sobrancelhas. Mas que droga!

— Porque ele salvou sua vida e a minha também.

Olho para o meu pai, quase suplicando para que ele não concorde com minha mãe.

— Não concorde com isso, pai. — Peço, quase implorando. Mas ele parece achar a ideia da minha mãe interessante.

— Ele salvou a sua vida e a vida de sua mãe chamando o Caleb. — Ele reflete — Queremos agradecer. Que mal há nisso?

— Mas, eu não quero vê-lo.

— Estagiário! – o garoto que está perto de nós, apenas observando, levanta a cabeça — Diga que minha esposa, minha filha e eu queremos o Dr. Miller aqui!

Mas, eu não quero! Entretanto, eu não tive tempo de protestar. Apenas abri a minha boca em um "O" perfeito de indignação. Tudo bem que eu aceitei um café com o Frank e sair com ele depois do Music Zone, mas ver minha mãe e meu pai é totalmente diferente. Porque mesmo eu aceitei sair com ele?! Por quê?!

Pelas boas recordações do passado que não foi. Um ponto pra minha ironia.

— Queriam me ver? — Frank pergunta assim que entra.

— Eu não. – respondo rude. Minha mãe me dá um cutucão no braço, eu faço uma careta. Meu pai abre um sorriso para Frank. Tudo o que eu mais quero é ir pra casa e aproveitar meus pais...

Mas, porque Frank precisa e faz questão de estar presente na minha vida desde aquela cirurgia?! Ele já fez o seu trabalho.

Não preciso mais de Frank aqui, apesar de ele ter conseguido me reconfortar nas últimas horas. Eu perdoei o que ele fez comigo, mas não que eu fui capaz de esquecer como ele me deixou. Perdoar não é o mesmo que esquecer.

— Frank – meu pai diz e percebo que ele estranhou por não ter sido chamado de "Dr." — Como vai!? Nós nos lembramos de você.

Frank engole em seco. Sei que ele está nervoso porque ele deve achar que meus pais não se esqueceram do que ele fez comigo. E eu me pergunto, como os dois não tocaram no assunto assim que ele ficou por mais de cinco minutos parado, olhando para gente? Eu, mesmo que de uma forma indireta, fiz questão de falar sobre nós.

— Eu também lembro... — Frank fala, mas ele não está muito firme com suas palavras. Um peteleco seria capaz de desmoroná-lo ali mesmo.

— É bom revê-lo. — Frank franze a sobrancelha, mas desfaz o gesto quase que imediatamente ao ouvir a fala da minha mãe. — Sentimos sua falta, e depois você não apareceu mais em casa.

Porque será!?

— Nós ainda lembramo-nos daquele almoço – meu pai continua. Será que por acaso eles se esqueceram da minha presença?! O que está acontecendo?

Praguejo de raiva, mas não olho para Frank. Meus olhos vão até os de minha mãe e percebo que nada os fará voltar atrás, seja lá o que for tudo aquilo.

Quando meu pai e minha mãe se decidem sobre algo, não voltam atrás com a decisão e, talvez, isso tenha sido o motivo de suas brigas durante o casamento.

Frank abaixa a cabeça, mas levanta logo em seguida e percebo que ele está tão confuso quanto eu e que daqui não pode sair coisa boa.

— Desculpe por aquilo — Frank pede e minha mãe abre um sorriso.

— Só desculpamos se você aceitar outro almoço assim que eu receber alta. – a minha boca se abre em total surpresa e percebo que Frank está se controlando para não fazer o mesmo. — Tia Holly disse que irá visitar a gente qualquer dia, e talvez mais uma companhia para o almoço, não cairia nada mal.

— Sim, você sabe como gostamos da casa cheia. Você aceita, Frank? – meu pai reforça a pergunta e, assim como eu, Frank está em choque com o pedido.

Eles só podem estar de brincadeira com a gente. Sério!? E outra, tia Holly é a única que não suporta Frank pelo que ele fez comigo... Deus, o que vai ser de mim!? Porque aquela maldita bala? Porque justamente naquele horário, naquele inferno de hospital, e esse médico? Porque comigo?

São perguntas para as quais eu nunca terei respostas, mas uma bela frase para definir a minha situação é a típica: "eu estive no lugar errado e na hora errada".

Respiro fundo. Eu vou acabar explodindo qualquer dia desses.


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