CAPÍTULO 6

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SEIS

          Aconteceu em uma quarta-feira. Tudo começou exatamente em uma quarta-feira. Comum.

          Nada de especial, nem um feriado, nem uma celebração ou sequer a estreia de um filme novo dos Vingadores nos cinemas. Apenas uma quarta-feira normal.

          Nessa quarta-feira, eu e Koa estávamos em Pérolas. Pela distância, pode-se considerar que fomos muito longe de Fonte Nova, mas, dessa vez, não havia um propósito explícito para vir até essa cidade, apenas uma forma de laser, de fato. Ainda que o ar calmo daqui seja delicioso, havíamos nos esquecidos de uma coisa tão importante que faria de nossa estadia aqui uma grande e enorme tragédia.

          Dinheiro.

          Não tínhamos nada, vazio, completamente pobres.

          O fato de termos tido de pagar uma certa parede quebrada em Fonte Nova está diretamente ligado à nossa falta de dinheiro atual; admito que não pretendia ficar pobre ao salvar minha vida e a de centenas, talvez milhares, ao derrotar um vampiro. O milagre de termos vindo até aqui com apenas uns trocados que Koa achou em sua meia também contribuiu totalmente com nossa total falta de dinheiro — além de aumentar minha insegurança com relação a deixar dinheiro na mesa perto dele.

          Pérolas é um tanto quanto diferente de Fonte Nova, é mais quente e possui menos edifícios, na verdade, mal tem alguns. Por sorte, não foi muito difícil chegar até aqui, e parece que no início do próximo mês, que será logo, haverá uma espécie de festival cultural, uma reunião da cidade em comemoração de alguma coisa, algo relacionado com o fundador da mesma.

          Sabendo de tudo isso, o que nos resta? O que podemos fazer para conseguir, de algum meio confiável, um pouco, não, muito dinheiro?

          — Prostituição — disse Koa, que se encontrava caminhando comigo.

          — Hã?

          Koa, este que outrora citei como meu melhor amigo, está forçando de maneira bruta aquilo que chamamos de amizade.

          — Me diga que você mencionou isso apenas como um alívio cômico e não com base na seriedade, por favor — pedi enquanto ambos andávamos por volta do meio-dia na calçada.

          — Não, prostituição é um meio viável de conseguir dinheiro rápido e em enorme quantia.

          — Tem que ser uma piada, você não pode se prostituir.

          — E quem disse que eu ia me prostituir?

          — Ah, que bom, então foi apenas um jeito de me irritar.

          — É você quem vai.

          — Hã?

          Koa, este que outrora citei como meu melhor amigo — em fase de teste — está me forçando a socar seu rosto deliberadamente.

          — Não sei por que vou perguntar isto, mas por que seria eu a me prostituir?

          Preparei-me para a resposta mais ousada e maligna possível. Estava quase certo de que Koa usaria de um discurso enorme, mostrando detalhadamente o que me fazia ser apto para a prostituição, e olha que nem tenho ideia de quais são os requisitos mínimos para se prostituir.

          — Você é bonito.

          Então meu cérebro explodiu.

          — Quem é você e o que fez com Koa?

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteLeia esta história GRATUITAMENTE!