CAPÍTULO 10

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DEZ

          Passaram-se duas horas desde que Koa desmaiou e caiu na calçada. Nesse tempo, eu perdi a cabeça de um vampiro que estava dentro de uma caixa de gelo. Reencontrei uma pessoa que pensei que fosse má e soube que ele podia me ajudar a salvar Koa, que descobri estar sofrendo os efeitos de uma severa infecção de um ferimento provocado pelo mesmo vampiro.

          De tudo que eu pensei que poderia me acontecer, isto, sem dúvidas, é uma que jamais estaria nessa bizarra lista. Devo dizer que muitas outras coisas não deveriam fazer parte dela também, isso é verdade.

          Depois que Igor fez o que ele faz, que ele me ajudou a tratar a causa do desmaio de Koa, eu fiquei contente. Eu realmente fiquei contente, e isso raramente ocorre hoje em dia. A seguir, a ferida de meu amigo parecia em um estado onde não mais se encontrava nas garras de uma feroz infecção, ele estava a salvo.

          Esperando que isso resultasse no despertar instantâneo de Koa, eu e Igor ficamos um pouco surpresos em ver que não houve tal acontecimento, o que a princípio gerou um desagrado; até que pude escutar seu coração bater novamente. Com isso, com seus batimentos em normalidade mais uma vez, o meu coração acalmou-se em seguida.

          Vendo que nenhum perigo mais assolaria Koa, tomei esse tempo para falar algo com Igor antes que eu me esquecesse.

          — Obrigado.

          A palavra que eu expressara naquele momento chocou Igor de um modo que ele ficou sem reação. O quão pasmado ele se mostrou jamais poderia ser recriado mesmo que eu pudesse procurar em minhas memórias e tirar uma foto desse exato instante através dos meus olhos. Foi assim que soube que não devia temer esse homem. Não tinha motivos para fazer algo assim, e tudo que eu podia fazer era me desculpar por isso.

          — Me desculpe.

          Com tal sentença expelida de um modo honesto e pouco ortodoxo, eu plantei a verdade dita por minhas palavras no âmago de sua razão. Nesse momento, Igor soltou um singelo sorriso, que me surpreendeu, e — embora eu não esbanjasse nenhuma expressão digna de demonstrar isso — eu apenas o recebi assim como ele fez com minhas palavras.

          Após ficar alguns minutos sentado e olhando para o corpo de Koa na mesa, não preocupado com a possível aparição do dono do bendito restaurante, apenas esperei. Até que ele acordou.

          — U-Uhm...

          Com seus olhos se abrindo como se acordasse de um sono, Koa, ainda deitado, abriu a boca com possíveis perguntas segundo meus pensamentos.

          — Por que eu estou jogado em cima de uma mesa olhando uma lâmpada?

          Um comentário idiota. Uma pergunta idiota. Foi mais do que o suficiente para que eu me acalmasse, pois eu sabia que somente estando bem ele soltaria uma estupidez dessas de um modo tão irônico.

          — Alguém pode me ajudar a levantar ou eu vou ter que pagar? — perguntou ele. — Não acho que possa ficar de pé sozinho agora.

          — Tudo bem. — Eu disse, já me levantando da cadeira e segurando seu braço.

          Ao estar sentado sobre a mesa, Koa olhou para os arredores, estranhando estarmos em um lugar totalmente diferente — e claramente longe de um hospital. Mas antes de explicar o ocorrido a Koa, notei que algo faltava naquele recinto, Igor.

          Igor havia desaparecido do salão possivelmente quando Koa acordou, quando eu praticamente esqueci tudo para ver que ele estava bem. Possivelmente ele aproveitou isso e deixou este lugar, o que me faz pensar para onde ele foi.

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteLeia esta história GRATUITAMENTE!