CAPÍTULO 18

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DEZOITO

          Um jovem com minha mesma idade, sorridente, cabelos escuros, um olhar calmo e roupas de quem parecia ter saído de um enterro. Ele se encontrava parado na minha frente na calçada, e mesmo assim, não acreditava que fosse ele, que fosse Ravi Diebher, meu amigo.

          — Hum... esperava ouvir um "é você mesmo, Ravi? Por acaso não é alguém se passando por você?", ou algo do tipo, Erick.

          Não havia mais dúvidas, era ele e não minha imaginação.

          — H-Hm... não, só esbanjei minha surpresa em ver justamente você quando eu disse pra mim mesmo que não havia encontrado ninguém conhecido.

          — Hoh... então não está contente em encontrar um amigo? Não está contente em reencontrar alguém que o conhece nesta cidade? Não está feliz?

          — N-Não, não é nada disso... ver você, encontrar justamente você, é...

          — Não seja estúpido, Erick, estou apenas brincando com você, é claro que sei o quão surpreendente é me encontrar aqui novamente.

          E justo quando pensei que não podia entrar em contato com ele, sou surpreendido com sua aparição em meu retorno entristecido a casa.

          — Mas, diga-me, o que esteve fazendo? Onde esteve? — perguntou ele.

          Muitas perguntas, tentar evitá-las apenas acenderia sua curiosidade, então as respondi vagamente para acelerar o passo:

          — E-Estive por aí, apenas andando e... vendo alguns lugares.

          — Entendo, você realmente se aventurou em muitas coisas por aí.

          Ele fala como se soubesse dessas coisas.

          Ravi não é alguém que odeio, sequer é irritante o suficiente como para ser um incômodo, ele é apenas... distinto, alguém sem muito escrúpulo, apenas perguntando o que quer e como quer. Se tivesse que resumir nosso tempo de convivência baseado apenas em nosso cotidiano estudantil, eu diria que foi... intrigante.

          — O que disse? — perguntou Ravi.

          — Nada, apenas falei algumas coisas que vieram nostalgicamente à minha mente agora. — Embora eu as tivesse pensado, não dito.

          — Ho! Isso, isso mesmo. Nostalgia, não seria este o momento ideal para irmos beber algo e falarmos sobre nossas aventuras do colegial? Sobre nossas conquistas amorosas? Sobre quais garotas um do outro queríamos para si?

          — N-Não acho... ainda não tenho idade pra beber dessa maneira, e acho que a gente tem outras curiosidades um do outro.

          — Sempre escapulindo dos meus dedos, hein, Erick?

          — S-Sim...

          Só se passaram alguns meses que nos vimos, mas parecem anos.

          Pergunto-me o que Koa faria se estivesse aqui — não, eu sequer queria ver Koa encontrar Ravi agora — ele atuaria mais abertamente que eu aqui, e isso não é algo que eu gostaria de ver. Acho que minha suposição de torná-los próximos estava um tanto errada. Mas antes...

          — R-Ravi... eu sei que isso não é algo que eu deveria perguntar agora, mas você conhece este lugar melhor do eu; por acaso sabe onde encontrar o Graal?

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteLeia esta história GRATUITAMENTE!