CAPÍTULO 7

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SETE


          Em uma situação normal, eu não teria nenhum problema em dormir dentro de uma escola abandonada. Na verdade, eu não me importo muito onde durmo, contanto que eu durma bem — vai, pode me chamar de desleixado, eu deixo.

          Mas nesta situação em que eu e Koa ficamos presos em um ciclo ao redor de uma escola caída aos pedaços e que, por um ato que desconheço, voltou a ficar como nova em um instante, é uma loucura.

          — Ei! Você é Erick? O famoso Erick Linz? — perguntou Koa, enquanto movia sua mão na minha frente com os dedos expostos, e eu os via de maneira embaçada.

          — ... O quê? — respondi com certa sonolência.

          — Consegue me ouvir? Oi, sou eu, o cara mais simpático do mundo.

          — Chega... posso tá sonolento, mas não com amnésia, sei perfeitamente que a última sentença é um crime contra a verdade.

          — Para mim são a mesma coisa, contanto que você não saiba distinguir o que está à sua frente adequadamente.

          — Por que você quer comparar duas coisas como se comparasse banana e maçã?

          — E ambas não são frutas?

          — Sim. Não. Digo, são frutas, mas são distintas.

          — Não vejo diferença alguma, apenas possuem nomes diferentes e cores diferentes, mas estão catalogadas no mesmo grupo.

          — Você tá ouvindo o que tá falando?

          — Perfeitamente.

          — Tá dizendo que uma banana possui o mesmo valor que uma maçã?

          — Exatamente. Ambas são frutas, não é?

          — Não, uma é rica em potássio, e a outra possui excesso de vitamina A. Isso já é o suficiente pra que sejam coisas praticamente diferentes.

          — Novamente. É a mesma coisa, ambas são frutas, blá, blá, blá, ambas possuem vitaminas, blá, blá, blá.

          — Esqueça! É inútil. Você realmente é um idiota.

          Enquanto ele demonstrava uma total falta de vergonha, eu simplesmente esfregava meus olhos ainda em um estado sonolento, meio que não acreditando que só dormi cerca de três horas antes de Koa me acordar. O que, para então, já era dia, e o sol se encontrava espantosamente brilhante pelas janelas, e eu, que permaneci sentado com as costas para uma parede, recebia tais raios solares diretamente em meu rosto. O lugar que escolhemos para o aconchego noturno foi a primeira sala do bloco norte, na verdade, se você entrar e virar à direita, já encontra ela.

          — Então? Você não dormiu, não é? — perguntou Koa com certa preocupação.

          — Acha mesmo que eu conseguiria dormir aqui? É como tentar passar a noite em um presídio, e acredite, conheço pessoas que já fizeram algo assim.

          — Eu consegui.

          — Você é estranho, não conta.

          — Não sou estranho! Enfim, você teria dormido bem se tivesse conseguido algum dinheiro.

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteLeia esta história GRATUITAMENTE!