CAPÍTULO 8

3 0 0

OITO

          Olhando um para o outro, eu e Koa nos acalmamos lentamente enquanto encarávamos a verdade inabalável de não termos compreendido o que ocorreu minutos atrás. Igor, o homem que nos obrigou a passar a noite nesta escola, desapareceu. Ele simplesmente se desfez no ar após eu ter o questionado por ter nos obrigado a ficar aqui.

          Embora eu acredite que ele tenha feito isso por alguma razão, não consigo imaginar ou sequer iniciar um raciocínio sobre os motivos que o levaram a cometer tal ato suspeito. Para ser mais sincero, não posso dizer que ele realmente possuía algum tipo de maldade, o tom de voz e o modo como falava livrara minha mente de qualquer ênfase duvidosa, e isso é o que mais me assusta.

          Se um homem como ele, que aparentemente pode distorcer nossos sentidos, não aparenta ser perverso, mas esconde algo tão crucial como o motivo de nos ajudar, eu não consigo dizer exatamente o que isso me faz sentir.

          Toda a sala que havíamos escolhido para passar a noite, que até então estava nos conformes, voltou à sua forma original, deteriorada, destruída e desastradamente consumida pelo musgo, janelas quebradas, sem porta e com as cadeiras corroídas pela ferrugem. Com certo receio, tomei a voz para convidar Koa a me seguir:

          — Vem comigo, quero ver uma coisa.

          Após pegar a caixa de gelo e ver como Luffma estava possivelmente dormindo, decidi não interferir — um vampiro calado é melhor do que qualquer coisa — fechei-a e saí da sala. Caminhando dentre o corredor, vendo como a cerâmica, paredes e pilares estavam da mesma forma que vi pela primeira vez, apressei meu passo, fazendo Koa segui-lo fervorosamente.

          E, como eu suspeitava, minha preocupação possui nome e possivelmente um sobrenome. Todo o bloco sul, a outra metade desta escola, encontrava-se destruído, exatamente como na primeira vez que eu vim aqui. Com isso, eu constei que, de fato, Igor não mais se encontrava aqui, pois, se sua presença era o que fazia este lugar parecer renovado, então ele ter sumido pode ser comprovado com a paisagem transtornada que presenciamos.

          Preocupado e pensativo, tentei não perguntar diretamente o que eu queria saber para Koa, isso é algo do qual ele não saberia me responder, tenho certeza. Contudo, ainda desejava as respostas para compreender tudo que eu presenciei e mais, claramente nada parece ter sido um capricho do acaso.

          Por hora, o que eu poderia fazer? Acredito que não muito. Ele foi embora e não faço ideia de onde esteja, e nem sei se deveria procurá-lo, embora queira saber suas respostas.

          — Você acha que ele vai voltar? — perguntou Koa ao avançar para onde iniciava o bloco sul.

          — Não sei — respondi —, mas também não sei se quero descobrir.

          — Acha que ele fez isso porque é algum tipo de cara legal que ajuda gente como nós?

          — Humph... é claro que não. Isso seria conveniente demais.

          — Dizem que a conveniência é um conforto da nova geração.

          — Não acha que ele parecia calmo demais? Digo, não parece que você se sentiu alarmado com a presença dele até que eu o apontasse.

          — Está tentando dizer que meus instintos não o apontaram como um perigo? Se for, eu acho que você não está muito errado.

          — Não tô? Isso é novidade pra mim.

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteLeia esta história GRATUITAMENTE!