CAPÍTULO 5

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CINCO

          — Acha que ele vai acordar em algum momento? — perguntou Koa calmamente enquanto nos dirigíamos ao nosso apartamento.

          Koa citou algo que antes não havia sequer passado perto da minha cabeça. A possibilidade de Luffma Klainhall Dukertask acordar é pequena, porém, possível. E se ele acordar, mesmo que nesse estado, por acaso ele continuaria sendo perigoso? O que pode parecer uma pergunta tola e totalmente baseada na desinformação, na verdade, possui certo peso.

          Pois esse homem...

          Errado.

          Pois esse vampiro — ele, que ainda permanece em vida mesmo após perder seu corpo —, poderá, de alguma forma, a menor que seja, ser algum tipo de ameaça?

          — Caso ele acorde — respondi —, o que você faria?

          — Eu? Por que teria eu que assumir tamanha responsabilidade? Você é quem o matou.

          — Acho que tá enganado, eu não o matei, ele ainda tá vivo, não é?

          — Se ter o que restou de seu corpo em um freezer for viver, eu acredito, do fundo da minha alma, que esse vampiro, que Luffma, preferiria poder ser morto.

          — Considerando as diversas mortes que esse homem, espera, meu erro novamente, que esse vampiro provocou, isso já não seria um final adequado?

          — Perguntarei agora: se ele acordar, o que fará, Erick?

          Eu senti isso.

          Senti como absurdamente, não, como descaradamente Koa insinuou minha falha em tratar desse vampiro, dessa criatura, desse ser. Embora ele tenha insinuado isso quando viemos atrás do vampiro, dizendo que não precisávamos matá-lo, apenas impedir que matasse, ele levantou um ponto em que não pensei muito bem. O que farei a segui?

          — Neste exato momento — comecei a responder —, não sei o que fazer se ele acordar. Não sei se devo jogar ele pela janela e ver o sol matá-lo, ou se devo deixar ele congelando pra todo o sempre. Mas acho que posso dizer que tentarei parar ele se demonstrar ser uma ameaça novamente.

          — Hmm... você decidiu vir para esta cidade, decidiu que capturar este vampiro era importante, tomou a responsabilidade de lidar com ele e evitar mais mortes. Porém, você não sabe o que fazer agora que o pegou. Então, a pergunta que me fará dormir bem hoje à noite é: o que você fará a seguir?

* * *

          A manhã chegou rápido.

          Embora tenhamos passado dois terços da noite ocupados, conseguimos sobreviver até o amanhecer, ainda que eu não tivesse dormido nada.

          Mentira.

          Posso tentar passar a ideia de que não consegui descansar um minuto sequer, mas é uma mentira. Ainda que eu engane quem ouvir isso, não mudará nada que estaria me enganando sutilmente. Então, em prol de uma honestidade — não só para quem me ouve —, mas para mim mesmo, para Erick Linz, devo ser honesto.

          Então, eu, que dormi apenas umas horas antes do nascer do sol, não consegui ver Koa no quarto.

          Após tudo o que houve ontem, tudo o que fizemos ontem — e não leve isso para um sentido que faria este livro aumentar sua classificação etária — fico surpreso de ele não estar aproveitando uma manhã da melhor forma que sabe fazer, dormindo.

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteLeia esta história GRATUITAMENTE!