CAPÍTULO 4

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QUATRO

Havia duas luzes quando percebi onde estava, uma vermelha e uma verde. Curioso como ambas começam com "v" e, ao mesmo tempo, transmitem tantas diferenças.

          O tempo da troca da luz de um semáforo pode ser considerado demorado. Caso você esteja com pressa indo para emergências com seu amigo, pai, filho ou mãe doente, essa mudança pode demorar horas, dias até. O que claramente é um terror sufocante. Essa foi a sensação que tentei usar para comparar com o que as pessoas atacadas pelo vampiro Luffma Klainhall Dukertask sentiram. Obviamente não chega nem perto.

          Mesmo que eu me imagine sendo atirado de um prédio em chamas em uma cama de espinhos, ainda não seria o suficiente. Pois ter sua vida sugada aos poucos é infinitamente pior. E, embora eu permanecesse duvidoso sobre tudo o que ocorreu nestes dias, os desaparecimentos, o vampiro, as mortes.

          Tudo.

          Até mesmo a cor do pão quando vou cortá-lo. Exatamente tudo ao meu redor cobria meu coração em um sentimento duvidoso, pois eu sabia que a morte dessas pessoas foi praticamente em vão.

          E, ainda que eu o encontrasse novamente, estaria aterrorizado.

          Dominado totalmente.

          Então qual motivação eu tenho para seguir adiante e de fato dar um fim nisto? Nenhuma. Nada. Poderia eu, uma pessoa de natureza gentil, usufruir do então tão maquiavélico plano que Koa sugeriu? A resposta claramente é não.

          Mas se eu considerar a ideia de que o vampiro é um ser teoricamente imortal, então sim. Eu concordaria. Pois, nesta noite, eu e Koa mataremos um vampiro.

          Curioso, o ser que agora há pouco afirmei ser imortal será morto. Esse paradoxo complicado de matar seres que não podem ser mortos talvez deixe diversas pessoas confusas, então irei dizer desta forma: nesta noite, Koa e eu daremos um jeito em um vampiro.

          Agora eu percebi, Luffma tinha razão, uma simples troca de palavras realmente afeta todo o contexto.

          E, mesmo enquanto subo estas escadas em direção a ele, às presas do vampiro, eu ainda não tenho uma resposta adequada para aquela pergunta infernal. Ela, que se repete desde o primeiro momento desta semana.

          Entendo que esteja se perguntando como chegamos até o esconderijo do vampiro tão facilmente, então resumirei no seguinte parágrafo de uma forma que não pareça idiota — e acredite, tinha tudo para parecer.

          Depois que saímos daquela lanchonete, Koa disse algo para mim que me surpreendeu. Acho que sei onde ele se esconde — foi o que ele disse exatamente. Claro que, a princípio, duvidei, e logo queimei minha língua quando o dito híbrido mostrou uma coisa em suas mãos.

          Cimento.

          Havia pó de cimento nas palmas de Koa, e, como um leigo inepto, obtive um insight de onde ele achara aquilo, o vampiro. Antes que o vampiro escapasse, Koa deslizou sua mão nele e conseguiu pegar um pouco desse pó; sendo assim, logo percebemos que o ser imortal poderia ter vindo até a lanchonete de um lugar com muito disso, o que seria uma área em construção.

          A área industrial.

          Está havendo uma reforma em algumas estruturas daquele espaço, portanto, é o único lugar pelas redondezas que possui alguém trabalhando com cimento. Eu sei, é até ridículo, mas acabou que duas moças foram achadas lá, então o lugar parece ferver como uma opção viável, nada mais justo do que apostar ser esse.

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora