CAPÍTULO 19

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DEZENOVE

          Eu, Koa e Ravi estávamos sentados na sala ao redor da mesa de centro, e onze potes de pudim servidos em uma bandeja com uma colher para cada um dos três ali presentes.

          Após eu ganhar a aposta, Koa decidiu que cumpriria sua parte do trato quando Ravi fosse embora. Ele, que comia calmamente, não conseguia retirar os olhos de Ravi, nem mesmo enquanto se sujava aos poucos como uma criança.

          Bem, ele tem quatro anos, então ainda é uma criança.

          — Então, Erick, você estudou com Ravi durante o ensino médio? — perguntou Koa enquanto comia sem expressão alguma de prazer.

          — Isso mes...

          — Exatamente — respondeu Ravi —, Erick e eu erámos bons amigos durante o tempo que passamos na escola.

          — Eram? O que houve? Brigaram? Não são mais?

          — Não exatamente... nos distanciamos por um tempo, não é, Erick?

          — ... Sim...

          — Não esperava que Erick tivesse feito um amigo no tempo que passou fora de casa. Como se conheceram? Onde foi isso? Por que agora estão tão próximos?

          — Você não precisa saber de nada disso.

          — Hoh... tudo bem então.

          Não sei como, mas me sinto em uma espécie de ringue, e não sou o espectador, mas sim o cinturão de campeão. Para que conste, isso me deixa desconfortável, mas um pouco tentado a ver quem ganha — isso me torna uma pessoa horrível, não é?

          — Então, Koa, sabe por que Erick se foi por tanto tempo?

          — A casa estava muito suja.

          — Oh, entendo. Sempre há um motivo específico, sempre há uma razão predecessora, sempre há um porquê, não é?

          — Não, não há, nunca ouviu o termo "vou e não volto"? É totalmente natural sair de casa quando se quer, não há uma necessidade ou motivo especial.

          — Hoh... entendo, então apenas decidiu que deveria ir.

          — Exato.

          Embora eu concorde em não contar uma longa história sobre o que houve no mês de março, sobre todo aquele embrulho que me motivou a ir embora, a resposta de Koa é quase um tapa na cara.

          — Então... Koa, você gosta de jogos?

          — Na verdade, não.

          Na verdade, sim, ele os ama. Eu diria que Koa é uma pessoa que adora qualquer tipo de jogo, não é à toa que ele ficou tão contente com aquela aposta.

          — Eu gostaria de propor algo para nos entretermos por um tempo, já que não há energia. O que acham? O que esperam? Como querem?

          Um jogo, talvez funcione.

          — Hm, acho que não seria um problema — respondi.

          Logo, suas palmas bateram em emoção.

          — Que alegria! É bom ver esse tipo de espírito aqui, haha!

          — O que planeja?

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteLeia esta história GRATUITAMENTE!