CAPÍTULO 13

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TREZE


          Quando, por fim, meus olhos se abriram, eu vi um clarão, era a luz que vinha de fora pela janela. Aquilo me incomodava ao ponto de querer retornar ao meu sono e acordar apenas após quatro bilhões de anos, em outra terra.

          Não consigo pensar direito, apenas senti uma dor, como se estivesse amarrado em algum lugar.

          É porque estou.

          Só uns segundos depois que consigo voltar a mim e notar que estou preso em uma cadeira. Parece pesado, são algemas, e não das normais que se encontram em qualquer sex-shop — lá se vai minha ideia de fantasia sexual. A grossura das algemas é de pelo menos o triplo dos meus pulsos, pode-se dizer que são fortes o suficiente como para impedir qualquer coisa viva de se mover.

          Não posso dizer que estou calmo, talvez seja só o efeito da droga que me colocaram ainda estar passando — ou é o que eu acho que houve.

          O lugar parece velho como um quarto de um prédio antigo, o teto está despedaçado, há uma janela ao meu lado esquerdo, ela está um pouco quebrada, mas dá para ver as luzes do festival, ou seja, não faz muito tempo que fui trazido até aqui se elas ainda brilham.

          Estou tentando me lembrar de mais do que fiz ou do que aconteceu comigo antes de parar aqui, mas não consigo pensar muito bem, só de estar falando com Ivhan pelo telefone e...

          A garota.

          Havia uma garota bonita e de repente tudo ficou preto. Tudo bem, Erick, você é esperto, o que liga você estar aqui com ter topado com a garota? Não consigo pensar em nada; consigo pensar claramente que ela está envolvida, pois só me recordo dos eventos até dar de cara com ela, mas só vai até aí.

          Hm...

          De repente, a porta do canto do quarto se abre, e uma figura surge das sombras. Uma garota. Minha desconfiança de ainda estar em um sonho que corresponde às minhas fantasias sexuais aumenta a cada instante em que ela se aproxima de mim — ou seria isso produto daquelas revistas do Koa? Não sei.

          — Sabe, você até que é bem bonitinho — disse ela antes de se sentar.

          Aquele comentário não era um flerte, praticamente uma forma de me irritar pelo seu tom de prepotência. Eu fiquei com o olhar baixo, apenas vendo ela girar as pernas uma na outra ao sentar para me ver de onde estava.

          Essa moça possui o mesmo visual daquela que esteve em meu último momento lúcido antes de parar aqui, portanto, ela é a causa do meu estado atual. Porém, ela está sozinha? Não sei dizer se ela não está com um grupo ou mais um, e muito menos sei o motivo de ter me pego aqui.

          — É Ivhan — disse ela.

          — O que disse?

          — É Ivhan. Eu te trouxe aqui por causa dele, para que saiba.

          — Ivhan. A razão de eu tá aqui é Ivhan? Por quê?

          — Em breve ele chegará, então não sei se vale a pena te contar ou esperar saber assim que estivermos juntos.

          Por acaso ela e Ivhan estão juntos? Ele armou isso para mim? Não, acho que ele não armaria algo assim para mim, não quando pediu minha ajuda de manhã; entretanto, ele pode ter recorrido a isto para me persuadir a ajudá-lo, as pessoas são capazes de qualquer coisa quando estão desesperadas.

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora