CAPÍTULO 15

6 0 0
                                                  

QUINZE

          Beep.

          — Alô? — respondi ao atender a ligação.

          — Erick?

          — Sim, sou eu... quem é?

          — Eu sumo por uns meses e você esquece até minha voz?

          — Espera... é R-Ravi? Ravi? É você?!

          — Calma, calma... sim, sou eu...

          — Eu pensei que tivesse se mudado, ido para outra escola, cidade, estado, país, por que não me ligou? Por que você não me disse onde tava?

          — Pareço até alguém importante agora...

          — E-Eu pensei que realmente não fosse te ver nunca mais.

          — Nunca mais é um termo muito forte, algumas expressões hoje em dia são usadas de maneira muito fúteis, não acha, meu bom amigo Erick?

          — E você leva tudo muito ao pé da letra.

          — Acredite, chegará o dia em que você entenderá que as palavras certas são o chamado da verdade...

          — Sem brincadeiras agora, onde você tá? Você tá bem?

          — Oh, não se preocupe pelo meu bem-estar... você parece muito abatido para o meu gosto, alguma coisa interessante aconteceu?

          — N-Não... nada... é apenas minha surpresa em receber uma ligação sua...

          — Ah, eu estou em Bom Jardim agora, pensei que você estivesse aqui...

          — N-Não... eu saí de casa há dois meses, pensei em... passar algum tempo longe o bastante pra respirar um pouco...

          — Estava se afogando?

          — Figura de linguagem, Ravi...

          — Eu nunca entendo essas coisas. Contudo, gostaria que pudéssemos nos ver, você pode retornar para sua cidadela agora?

          — Falando assim, pareço até um rei que retorna da sua viagem. Bem, acredito que posso fazer isso... na verdade, eu tenho total capacidade pra fazer isso agora.

          — Fico contente com seu retorno, estarei no aguardo.

          Beep.

* * *

         Foi em fevereiro deste mesmo ano, perto do final do mês. As aulas ainda não haviam começado, e eu era apenas um rapaz, não um aluno, mas um jovem qualquer que descobriu que seu amigo havia ido embora e se sentiu muito triste em não poder se despedir ou saber para onde ele havia ido. Naquele então, conversei com minha amiga Laura sobre.

          — Hm... pensei que ele tivesse contado algo pra você — disse ela, sentada no mesmo banco que eu enquanto esperávamos um ônibus para ir ao cinema.

          — Não, ele apenas se foi. Onde acha que ele tá agora?

          — Será que ele não gostava de você?

          — Não diga algo assim!

          — Eu tô brincando, bobo...

          — Algumas das suas brincadeiras são realmente terríveis.

Hábitos Decadentes - Exílio AberranteOnde as histórias ganham vida. Descobre agora