-Enrique Dias!
Levantamo-nos abraçados e fomos rumo à porta.
Era o médico Mark Scott Blumenkranz, que em tom amistoso disse:
-I am Doctor Blumenkranz. Nice to meet you!
-How are you Mister Dias?
Estendi a mão e o cumprimentei, respondendo como pude (e de forma errada).
-Good and you?
Dr Blumenkranz respondeu:
-I am fine. Thanks.
Então, fui conduzido até a cadeira de exames. Minha mãe e minha irmã sentaram em duas pequenas cadeiras ao lado da porta e o Dr. Blumenkranz sentou-se de costas para mim em uma pequena escrivaninha acoplada à parede. Na verdade, a sala era um módulo padrão de três por quatro metros e com uma porta para o corredor externo onde ficavam os pacientes e outra porta na parte de trás da sala, que saía para um corredor interno. Corredor esse, que conectava todas as salas de exames daquele e do corredor seguinte.
O médico leu a carta e ao terminar, começou a falar conosco. Logo percebeu que tínhamos dificuldades em entender o que ele estava dizendo, e perguntou se precisávamos de um tradutor. Angélica disse que seria melhor.
Ele então usando o telefone, chamou alguém para fazer a tradução. Em menos de dois minutos, apareceu uma das atendentes da recepção que se apresentou e disse se chamar Aurora. Ela disse em espanhol que iria traduzir o que não conseguíssemos entender em inglês.
Naqueles primeiros dias em Miami isso ainda não seria de muita utilidade, pois o espanhol às vezes nos pregava uma peça atrás da outra, mas, era o que tínhamos à disposição. O Dr. Blumenkranz falou que havia lido a carta do Dr. Sergio, que o conhecia de congressos de oftalmologia, e que iria fazer o possível e o que estivesse ao seu alcance para cuidar da recuperação da minha visão.
As luzes foram apagadas e senti a claridade da luz vinda do aparelho usado para examinar o fundo do olho.
Ele começou a pedir que eu olhasse para a direita, para a esquerda, para baixo, para cima, para frente. Ele falava em inglês, e a Aurora repetia em espanhol e às vezes eu não entendia nenhum dos dois. Quando isso acontecia, ele tocava com a ponta dos dedos ao redor do meu olho para que eu soubesse para onde deveria olhar.
Depois disso, ele me colocou no aparelho fixo, onde o paciente coloca o queixo em um apoio e o médico regula a máquina, aproximando, subindo e abaixando. Nessa hora ele fez um comentário sobre a minha altura, que ele teria que usar a regulagem máxima para poder colocar as lentes na posição correta e quis saber quanto eu media. Eu respondi em metros, mas ele não me entendeu. Nos Estados Unidos a altura é medida na unidade pés, e a Aurora que era cubana fez lá as suas contas e traduziu para ele que se assombrou e perguntou se eu jogava basquete. Disse que não, que jogava futebol e tinha sido nadador.
Sempre que dava, eu perguntava para a minha irmã e para a minha mãe como estava o semblante do médico e o que elas estavam achando. Mas elas também não podiam ver tudo, às vezes ele estava de costas, além disso, a sala estava iluminada apenas pela luz dos aparelhos.
Após cerca de quinze minutos, ele saiu da sala e pouco depois voltou com outro médico. O apresentou e disse que queria que ele me examinasse também. Aurora foi dispensada e disse que voltaria, caso fosse necessário.
Novamente, os mesmos exames que tinham sido feitos pelo Dr. Blumenkranz, estavam sendo feitos pelo outro médico que se chamava Dr. Jhon C. Clarkson.
KAMU SEDANG MEMBACA
Fidel com a dele e eu com a minha.
NonfiksiUma Historia Real, passada nos anos 1980. Imagine, perder a visão aos 22 anos e ficar condenado a cegueira eterna. O que você faria? No cenário, as lindas praias de Guarujá e Miami, apimentadas com um pouquinho de Guerra Fria. Um jovem estudante de...
O DIA D
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