Ladrão Toru - parte 5

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Ladrão Toru – parte 5

          O tapa-olho cobria um buraco onde poderia caber facilmente uma mexerica.

          Pode-se dizer que tomava conta de seu lado esquerdo quase que por completo, era possível ver o outro lado, realmente, um buraco.

          Um buraco.

          Não.

          Uma ferida.

          Uma prova, a evidência inegável de uma ferida brutal em sua cabeça. Não havia como alguém se mover com aquele buraco, ou falar, pensar, rir, comer ou qualquer outro ato que somente uma pessoa comum, ou pelo menos viva, poderia fazer.

          Tentei pensar em pelo menos um modo onde algum ser humano pudesse sobreviver com um rombo — sim, é o termo adequado — na cabeça desse modo. Em alguns casos, já vi histórias de pessoas que sobreviveram mesmo após terem sua cabeça atravessada por uma faca de mesa.

          Normalmente, uma faca de mesa possui um tamanho em torno de vinte ou trinta centímetros; considerando o tamanho de uma cabeça humana comum, ela poderia facilmente atravessá-la, estar entre ela. Em outras ocasiões, soube de situações, ainda mais sérias, envolvendo barras de metal com até cinco centímetros de grossura, e mesmo assim, pessoas com uma habilidade incrível de cirurgia e muita sorte, conseguiram fazer com que a vítima sobrevivesse ao acidente.

          Parabéns para todos os cirurgiões. A medicina moderna realmente é uma benção do século vinte e um.

          Mas.

          Neste caso, onde o buraco é quase do tamanho de uma maçã mediana, onde não só o tamanho de entrada, mas o de saída, ou seja, a passagem do rosto até atrás da cabeça, possuem o tamanho adequado para um punho poder passar.

          Não há outra explicação.

          Sequer há uma chance para cogitar alguma coisa.

          Ele morreu.

          Está morto.

          Não há mais retorno.

          Simplesmente morreu.

          Porém, ele está aqui.

          Kirishima Toru, mesmo com esse enorme buraco no rosto, essa prova nítida de sua morte, ele ainda está aqui na minha frente.

          — Você... q-quando percebeu?

          Eu poderia responder com "como eu não notaria que meu amigo estava morto?" para Kirishima agora, mas isso seria uma mentira, totalmente falso.

          Eu não poderia fingir ter percebido só pelo fato de ele ser meu amigo, não poderia usar seus sentimentos dessa forma, não havia sequer um motivo para que eu o enganasse desse modo. Portanto, eu devia engolir o choro por um instante e contar para ele como eu soube, ou melhor, quando eu soube.

          — Quando nos encontramos, eu... eu não percebi nada, somente quando chegamos em casa que eu notei.

          — E-Então...

          Então eu notei assim que o trouxe para casa — ou quando ele se convidou para a mesma.

          Kirishima manteve distância de tudo, e até mesmo me pediu cuidadosamente para abrir o portão e a porta para ele passar. Em outras palavras, ele não podia interagir com eles, ele não podia empurrar o portão quando o destranquei, ele não podia tocar na porta, ele simplesmente não podia.

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