Ladrão Toru - parte 2

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Ladrão Toru – parte 2

          Levou mais ou menos vinte minutos para chegar até a zona de comércio do bairro.


          Isso, em uma linguagem mais direta, seria a pequena intersecção entre quatro esquinas formando um xis composta de micro lojas, ou seja, pequenos comércios.

          Neste ponto, minha meta, além de reabastecer a geladeira da cozinha, era a de encontrar pudim.

          Um simples alimento, uma sobremesa comum.

          Porém, não qualquer pudim, um que seja totalmente, não, mais que totalmente caseiro, ele deve esbanjar sua origem de fabricação à plena vista, ele deve ser algo que bastaria olhar para saber que uma pessoa com extremo amor e cuidado trabalhou incansavelmente para produzi-lo.

          Em outras palavras, eu deveria encontrar um milagre.

          Seria como tentar achar uma esfera com estrelas sem um aparelho rastreador.

          Ou seja, impossível.

          — Tem certeza de que isto é cem por cento natural, senhora?

          A atendente gaguejou na resposta, isso já significava um "não".

          Após ir a vários lugares, o esperado aconteceu mais vezes do que imaginei.

          Não há.

          Esqueça.

          Isso é apenas um mito.

          Desde quando algo assim existe?

          Foram todas as respostas que encontrei — as quais de nada me serviram — mas, mesmo assim, não podia desistir, caso fizesse isso, não só perderia em uma aposta com Koa, como também "perderia" em uma aposta com Koa.

          Não foi ênfase.

          A segunda linha é ainda pior.

          Pois não posso permitir que aquele híbrido de homem e gato tenha o deleite de me ver limpando a casa desprovido de minhas vestimentas... é algo que não posso aceitar.

          Shibuya é um lugar mais agitado que Omori, ou até mesmo que Shinjuku; em uma comparação de escalas, aqui seria o equivalente a um formigueiro quando cai mel por cima, enquanto os demais lugares seriam um formigueiro com algumas jujubas por perto.

          Por mais que isso soe rude, é algo que os demais locais devem agradecer.

          Para mim, que sou uma pessoa de natureza calma, alguém que se contenta apenas em ver um cartaz promocional de uma garota usando um lindo vestido estampado, estar repleto desta agitação é — no mínimo — sufocante.

          Em seguida, adentrei uma loja de conveniências; por razão nenhuma aparente, apenas senti que ali conseguiria algo que me distraísse do frívolo pesar de jamais achar pudim neste bairro — e quem sabe encontrar algo para beber.

          Geralmente eu não bebo nada além de refrigerante, se Koa escutasse isso, certamente tentaria me matar, no mínimo. Mas eu esqueci como Shibuya é quente. É um lugar dotado de um clima muito caloroso nesta época do ano, no verão, portanto, não posso ceder à deterioração de meu corpo através de resíduos industrializados.

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