Ladrão Toru - parte 4

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Ladrão Toru – parte 4

          Eu, Koa e Kirishima estávamos sentados na sala ao redor da mesa de centro, e onze potes de pudim servidos em uma bandeja com uma colher para cada um dos três ali presentes estavam dispostos.

          Koa, que comia calmamente, não conseguia retirar os olhos de Kirishima, nem mesmo enquanto se sujava aos poucos como uma criança.

          Bem, ele tem quatro anos, então ainda é uma criança — pensei.

          Com um tempo, que não foi muito, de silêncio, Koa começou com um assunto.

          — Então, Hamada, você estudou com Kirishima durante o ensino médio?

          — Isso mes...

          — Exatamente.

          Respondeu Kirishima.

          — Hamada-kun e eu erámos bons amigos durante o tempo que passamos na escola.

          — Eram? O que houve? Brigaram?

          — Não exatamente... nos distanciamos por um tempo, não é, Hamada-kun?

          — Hm... sim.

          Quando na verdade uma aberração nos fez quase destruir o ginásio da escola.

          — Não esperava que Hamada-kun tivesse feito um amigo no tempo que passou fora de casa. Como se conheceram? Onde foi isso? Por que agora estão tão próximos?

          Droga, são perguntas demais, Koa pode acabar falando alguma coisa sem querer durante sua ira.

          — Você não precisa saber de nada disso, Kirishima.

          Hm?

          — Ho... tudo bem então.

          Não sei como, mas me sinto em uma espécie de ringue, e não sou o espectador, mas sim o cinturão de campeão. Para que conste, isso me deixa desconfortável.

          — Então, Hamada-kun, pode me dizer por que retornou para sua cidade natal após um longo tempo no mundo a fora?

          — Recebi uma ligação de que minha casa havia sido inva...

          — A casa estava um pouco suja — disse Koa, após me interromper.

          — Oh, entendo, então a aposta de ambos tinha a ver com isso. Voltar para cá não foi apenas parte de uma brincadeira, não é? Sempre há um motivo específico, sempre há uma razão predecessora, sempre há um porquê, não é?

          — Não, não há, nunca ouviu o termo "só voltei pelos peixes"? É totalmente natural voltar para casa quando se quer voltar, não há uma necessidade ou motivo, apenas se quer.

          — Hoo... entendo, então apenas decidiu que deveria voltar.

          — Exato, Hamada apenas decidiu que queria voltar.

          Ei, eu posso responder por mim mesmo.

          — Então... Koa-kun. Você gosta de jogos?

          — Na verdade não.

          Na verdade sim, ele os ama.

          — Eu gostaria de propor algo para nos entretermos por um tempo, ou como dizíamos, matar o tempo. O que acham? O que esperam? Como querem?

Zokugatari: ExodusOnde as histórias ganham vida. Descobre agora