Simplório Ivhan - parte 3

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Simplório Ivhan – parte 3

          Dentre todas as coisas que pensei quando Ivhan bateu a porta, uma delas foi "arrependimento". Isso não quer dizer que eu estou preocupado com ele, ou com a pessoa que pretende matar. Apenas arrependimento.

          Como quando vemos que alguém está perto de fazer alguma besteira, e em seguida perdemos a chance de detê-lo. Não sei quando comecei a pensar assim, a me importar dessa maneira com desconhecidos.

          Ah.

          Já me lembrei. Isso aconteceu quando conheci Koa há dois meses. De certo modo, é engraçado, eu não me importo com pessoas normais, e sim com as anormais. Isso só reforça a ideia de que estou com quase meu corpo inteiro do lado anormal da balança.

          Por falar nisso, alguém já ouviu falar na expressão "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço"? É engraçado como ela se adequa perfeitamente aqui.

          — Não, é o completo oposto! — exclamou Koa.

          — Se parar para pensar um pouco, é justamente o que estamos fazendo.

          — Eu disse uma vez, e não vou repetir mais do que essa. É uma loucura seguir o Ivhan.

          Talvez.

          Poucos minutos após Ivhan ter saído, eu disse para Koa que devíamos segui-lo.

          Como já era de se esperar, Koa reagiu da pior maneira e acabei com o olho roxo, o esquerdo para melhorar. Caso não saiba, esse é o meu melhor olho, pois meu lado esquerdo é onde pareço mais bonito do que normalmente sou.

          — Eu devia ter passado alguma maquiagem.

          — Pare! — gritou Koa.

          — Estou tentando entender isto, mas... Hamada-kun, pare de agir dessa maneira, é constrangedor. Não está passando a seriedade do momento corretamente ao leitor.

          — Tem razão, eu devia ter usado um tapa-olho.

          — E se entregar ao clichê de todo anime? Não, prefiro vê-lo com essa enorme mancha roxa do que meio pote de pó em seu rosto.

          — Eu não passaria tanto se você não tivesse me jogado com seu punho.

          — Eu devia tê-lo matado naquela hora, mas esqueci que você se regera quando está perto da morte.

          — O quê?! Você tentou me matar?!

          — Agora você estaria morto, e eu não teria que ficar me escondendo nas esquinas seguindo um cara estranho.

          — Ei, isso foi maldade. Eu não lembro de te ensinar esse tipo de comportamento, tão jovem e já está se revoltando, que tristeza.

          — Hamada! Cale a boca.

          Após me jogar para trás, Koa e eu vimos Ivhan passar pela rua. Julgando a performance dele, seu andar, seu olhar, não precisava elaborar um grande cenário mental para saber o que ele estava fazendo.

          É como se ele estivesse esperando alguém, ou procurando. Claro, isso já era óbvio.

          Embora meu impulso de segui-lo era enorme, não podia imaginar o que encontraria, isso se encontraria. Considerando o comportamento ligeiro desse homem, só posso presumir uma coisa, que com certeza irá acontecer a qualquer momento.

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