Ladrão Toru - parte 3

43 1 0

020

Ladrão Toru – parte 3

          Aos poucos, eu me via no caminho de casa.

          Exausto. Pois muito havia acontecido poucas horas atrás.

          Durante um longo tempo, parei para imaginar diversas coisas, poderia ter escrito um livro com minha imaginação.

          — Mas nada faz muito sentido, não é? — disse para mim mesmo.

          Para agora, essa breve viagem poderia ser encerrada, um monólogo presunçoso comentando a vida de Imai poderia ser usado para um epílogo, porém.

          Isso não pode acontecer.

          Isso não deve acontecer.

          Agora, mais do que nunca, estou enfiado em uma trama, não posso simplesmente dar ela por encerrada quando ainda estamos na metade, ou o que se acredita ser a metade.

          Em outras palavras, minha volta a casa é apenas um utensílio para um novo desenrolar.

          Isso, exatamente, um novo desenrolar.

          — A partir de agora, o que poderia acontecer, ou melhor, o que deveria acontecer?

          Shibuya agora parece um pouco mais calma do que há dois meses, onde sequer era possível escutar meus próprios pensamentos sem antes ser interrompido por buzinas ou pessoas conversando no telefone a todo momento.

          Falando nisso, eu quase esqueci que possuo um telefone também.

          Considerando meu desapego a esse aparelho de comunicação, não podia esperar um uso contínuo dele nas ocasiões em que me encontrei.

          Mas bem que ele poderia ter sido útil quando Gaizess me sequestrou.

          — Mas Koa me achou do mesmo jeito.

          Contudo, uma coisa não mudou, ou pior, se tornou ainda mais visível.

          Esta cidade é enorme.

          Colossalmente gigante. Parece redundante, mas expressa fielmente a visão que tenho de Shibuya desde que vivo aqui.

          Se parar para pensar um pouco, em um sentido mais técnico, não há muitas chances de você se encontrar com a mesma pessoa várias vezes em poucas horas. Isso deveria ser ao contrário, considerando a população atual, mas é justamente assim.

          E hoje, por mais "dia da semana" que pareça, tem uma serena cara de domingo.

          Ou seja, ninguém — vazio — completamente absorto de pessoas.

          Seria natural encontrar pessoas com quem estudei no caminho para casa, ou pelo menos enquanto ando nesse trajeto centro-casa. Mas assim como todo o resto, não há.

          — Me pergunto se dois acidentes acontecendo em uma hora é motivo para fazer o mundo se afastar de você.

          Não, eu e Imai fizemos algo para ocultar os veículos, então é certo que isso não é um motivo para que não haja muitas pessoas — ou quase nenhuma — na cidade.

          — Então estou apenas imaginando?

          É o mais provável.

          Eu, que decidi sair deste lugar há dois meses, posso não mais estar familiarizado com sua essência novamente, posso ainda estar vagando por aí, sem sequer lembrar que este é o lugar por onde passei noventa por cento de minha vida.

Zokugatari: ExodusLeia esta história GRATUITAMENTE!