Imai Infinito - parte 2

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Imai Infinito - parte 2


          — Hamada — disse Koa, com um olhar cintilante.

          Não falamos nada.

          Um silêncio consumiu aquele instante.

          Não havia o que falar, pois a nossa prioridade havia mudado.

          Em um momento depois, ambos apertamos os punhos. Era como se nossas mentes estivessem sincronizadas de alguma maneira. Koa manter um silêncio tão deforme simbolizava um total entendimento do que havíamos presenciado.

          Corremos.

          Ambos fizemos exatamente a mesma coisa. Partimos em direções opostas com o fim de nos afastarmos o máximo um do outro. Embora Koa seja mais rápido em questão de correr que eu, ainda tinha uma chance de seguir em um ritmo similar ao dele.

         Naquele momento. O principal catalizador para nossa largada maratonista foi um odor. O cheiro massivo de um cigarro vindo atrás de nós serviu perfeitamente como um disparo para correr como se nossas vidas estivessem em jogo.

          Pois certamente estavam.

          O que ambos não pensamos, e sequer vimos acontecer, foi de nos encontrarmos cara a cara, quando, na verdade, estávamos querendo nos afastar.

          Um tombo.

          Como duas pedras atiradas uma na outra por dois gorilas frequentadores de uma academia hardcore para um concurso bodybuilder. Eu e Koa chocamos nossas cabeças.

          ..............

          Caímos no chão.

          Confusos.

          Ambos marcados com um borrão vermelho na testa.

          A caixa de gelo com Luffma caiu para o outro lado, o medo da luz do sol tocar nele não veio, pois ela estava fechada, um lacre.

          Um entendimento daquilo era necessário. Do que houve, não do borrão, isso era óbvio.

          Porém o medo falou mais alto.

          Jamais tínhamos visto algo igual. A junção psicodélica de nossos caminhos se cruzando sendo que andávamos em direções opostas quase fritou nossas mentes. Ou pelo menos, a minha sim.

          — Heh heh...

          Novamente a risada.

          Era possível compará-la com a arrogante risada de Luffma. Mas de alguma forma, parecia mais sutil. Naquele momento, foi quando percebi que Koa finalmente tinha ouvido ela. Se eu pudesse julgá-lo por não ter notado antes, sendo que possui uma audição claramente superior a minha, eu não o faria. Na verdade, o socaria no rosto por ter se perdido em um falatório inútil a ponto de não perceber o que se passava em seu ambiente.

          A imagem daquela fumaça surgindo aos poucos antes mesmo de sentirmos o cheiro do cigarro foi de fato uma situação alarmante.

          Não há motivos para alguém se encontrar aqui, não há um porquê que indique que alguém deva estar aqui.

          Essa era a mentalidade que eu possuía antes de ser totalmente consumido pelo medo depois de apenas sentir o cheiro. Há diversas formas de chamar um comportamento desses, mas "pavor" se adequa perfeitamente.

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