Vampiro Klainhall - parte 4 (final)

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Vampiro Klainhall – parte 4 (final)

          A manhã chegou rápido.

          Embora tenhamos passado dois terços da noite ocupados, conseguimos sobreviver até o amanhecer, ainda que eu não tivesse dormido nada.

          Mentira.

          Posso tentar passar a ideia de que não consegui descansar um minuto sequer, mas é uma mentira. Ainda que eu engane quem ouvir isso, não mudará nada que estou me enganando sutilmente. Então, em prol de uma honestidade – não só para quem me ouve –, mas para mim mesmo, para Hamada Hasumaru, devo ser honesto.

          Então, eu, que dormi apenas umas horas antes do nascer do sol, não consegui ver Koa no quarto.

          O apartamento onde estamos se encontra no lado mais afastado de Shinjuku, na verdade, dormimos em um quarto, em duas camas separadas. Estas camas funcionam da seguinte maneira: eu, que sou teoricamente mais velho, durmo na cama de baixo para estar em total sincronia com o que há encima, onde Koa dorme. Embora não pareça, temos uma ligação – não, uma relação muito forte. Ainda que não tenhamos nascido como irmãos, ambos temos total ciência de quando o outro está em perigo (por acaso seriam os efeitos remanescentes "daquilo"?). Então acabamos sempre estando perto um do outro.

          Entretanto.

          Nesta manhã.

          Justamente nesta manhã.

          Koa não se encontrava na cama de cima, o que implicava que algo totalmente fora do comum estava acontecendo, e, antes que o primeiro raio de sol tocasse meu rosto através da janela, saltei, mesmo que minha cama já esteja de fato na parte inferior, eu, ainda assim, saltei com total delicadeza, meus pés tocaram o piso, e ainda usando meias, dei o que pode ser chamado de "corrida leve".

          Para os leigos, uma corrida leve é quando, simplesmente, andamos rapidamente, e por mais ridículo que você fique ao empinar sua bunda para acelerar seus músculos das coxas, compensa totalmente. De fato, você caminha rapidamente.

          Este movimento permitiu me deslocar até o terraço, sim, nosso apartamento é no último andar. E antes que alguém sugira que o terraço só trará desgraças, eu já havia pensado nisso após os acontecimentos de ontem, ou hoje, considerando a hora, estou convencido de que é seguro. Até aqui.

          Com cuidado, sem sequer respirar, qualquer movimento poderia interferir totalmente no que talvez esteja acontecendo, e isso seria impensável.

          O que me leva a acreditar que Koa está aqui é apenas, e unicamente, pelo rastro de sangue pequeno, este que ainda reside em seu corpo, pois Koa, assim como um gato que é, odeia tomar banho, o que é curioso, pois ele é um fanático pela limpeza.

          Aos poucos que a porta abria, eu podia sentir a brisa em meu rosto.

          Fria.

          Totalmente congelante, ainda eram sete horas, e eis que minha preocupação por este que eu tenha tomado como um irmão mais novo é totalmente desnecessária (como eu já previa, o que mais de ruim poderia acontecer, não é?).

          Espere! Talvez eu não devesse falar isso.

          "............"

          Silêncio, totalmente silencioso, o único ruído, o qual o chamaremos assim por falta de uma palavra melhor, era o vento, um total ato da natureza, porém, um fenômeno.

Zokugatari: ExodusLeia esta história GRATUITAMENTE!